Terras Roubadas, Sonhos Destruídos: Até Quando a Bahia Será Refém da Corrupção que Arranca o Chão do Povo?
- Nilson Carvalho

- 25 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
O que mais falta acontecer na Bahia? Essa é a pergunta que ecoa nas ruas, nas feiras, nos ônibus e nas mesas de bar. Enquanto o povo luta para pagar aluguel, construir sua casa ou deixar um pedaço de terra como herança para os filhos, um esquema milionário de grilagem de terras agia livremente em Feira de Santana há mais de uma década — justamente onde deveria existir segurança, fé pública e justiça: os cartórios.
A Operação Sinete escancarou o que muitos já suspeitavam, mas poucos tinham coragem de denunciar. Um esquema sofisticado, cruel e organizado que envolvia empresários, servidores cartorários, policiais, corretores e advogados. Resultado? Terras roubadas, documentos falsificados, famílias ameaçadas e sonhos esmagados pelo peso da corrupção.
Diante da gravidade dos fatos, a Corregedoria do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) precisou agir e nomeou interventores nos cartórios do 1º e 2º Ofício de Imóveis de Feira de Santana, após a prisão de oito envolvidos, entre eles o empresário Oyama Figueiredo e três filhos. Uma medida extrema, mas necessária, para tentar devolver ao povo algo básico: confiança no sistema.
Segundo as investigações, o esquema funcionava como uma engrenagem perversa. Um núcleo cartorário produzia registros fraudulentos; um núcleo policial intimidava vítimas com ameaças e violência; e um núcleo empresarial transformava a ilegalidade em contratos “aparentemente legais”. Tudo isso enquanto famílias humildes compravam terrenos acreditando estar realizando o sonho da casa própria — sem saber que estavam sendo empurradas para um golpe.
Entre as vítimas está a tradicional família Boa Ventura, que denuncia as fraudes desde 2009. O prejuízo ultrapassa R$ 100 milhões, com mais de 50 imóveis construídos ilegalmente, alguns avaliados em até R$ 15 milhões. Mas não são só famílias tradicionais que sofrem. Muitas vítimas são pessoas simples, vulneráveis, que se calaram por medo. Medo de quem deveria protegê-las.
A intervenção do TJBA, o afastamento das responsáveis pelos cartórios e as prisões preventivas representam um passo importante. Mas não podemos nos enganar: isso não devolve automaticamente as terras, nem apaga o trauma de quem foi enganado ou ameaçado. O dano social é profundo e atinge toda a cidade.
Como ativista social, é impossível não perguntar: quantas outras Feiras de Santana existem escondidas pela Bahia? Quantos esquemas ainda operam nas sombras? Cada manchete como essa é um tapa na cara do cidadão honesto que acredita na lei, paga impostos e respeita as regras.
Se a terra é roubada, o futuro também é. E quando a corrupção finca raízes no chão, quem perde é o povo.
Agora queremos ouvir você: até quando a Bahia vai ser manchete de roubos, fraudes e injustiças? Comente, compartilhe e ajude a transformar indignação em cobrança por mudança.
Foto: Internet







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