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Desodorante no lugar errado: quando o tabu, a desinformação e o silêncio colocam vidas em risco

O que era para ser uma “brincadeira” terminou em hospital, alerta médico e um debate que o Brasil insiste em evitar.

 

Um jovem de apenas 19 anos precisou ser internado às pressas após introduzir um desodorante no ânus durante uma prática sexual. O objeto foi “sugado” pelo intestino e ficou preso no reto, impossibilitando a retirada em casa. O caso viralizou nas redes sociais, arrancou risadas de uns, julgamentos de outros — mas, acima de tudo, escancarou um problema sério: a falta de informação, o peso do tabu e o risco real à vida.

 

Atendido pelo cirurgião coloproctologista Daniel Brosco, o jovem ouviu o que muitos ignoram: fantasia sexual não é o problema. O perigo está no improviso. Segundo o médico, objetos que não foram feitos para esse tipo de prática podem causar perfurações, infecções graves e até levar à morte. E isso não é exagero. Ele mesmo relata já ter atendido pacientes com complicações severas envolvendo objetos como garrafas de vidro, partes de móveis, alimentos e outros itens totalmente inadequados.

 

Quando o corpo reage — e ninguém avisou

 

O intestino funciona com movimentos involuntários chamados peristálticos. Em outras palavras: ele puxa o que entra. Além disso, regiões como o reto podem formar um efeito de vácuo, fazendo com que o objeto “suba” rapidamente e fique preso. Quando isso acontece, tentar resolver em casa só piora a situação. Laxantes, por exemplo, podem empurrar ainda mais o objeto para dentro, aumentando o risco de lesões internas.

 

O médico é direto: nesses casos, a única atitude segura é procurar atendimento médico imediatamente. Vergonha não pode ser maior que a vida.

 

Tabu também machuca

 

O sexo anal ainda é cercado de preconceitos e desinformação. Especialistas reforçam que, quando praticado de forma correta, com orientação e segurança, não oferece riscos à saúde e não causa problemas como hemorroidas — ao contrário do que muita gente acredita. A região anal, inclusive, é uma importante zona erógena.

 

O verdadeiro perigo está no silêncio, na piada fácil e na falta de educação sexual. Quando a sociedade prefere rir ou apontar o dedo em vez de informar, quem paga o preço é o povo, especialmente os jovens.

 

Informação salva vidas

 

A orientação é clara: quem deseja explorar essa prática deve usar apenas produtos específicos, desenvolvidos para esse fim, com materiais seguros e formato adequado. Isso não é luxo, não é incentivo — é prevenção.

 

Casos como esse não deveriam servir apenas para viralizar nas redes, mas para provocar reflexão. Porque enquanto o tema continuar sendo tratado como piada, mais pessoas vão continuar se machucando em silêncio.

 

“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”

 

Gentileza, aqui, também é informar sem julgar, alertar sem humilhar e cuidar da vida do outro, mesmo quando o assunto incomoda.

 

E você, o que pensa sobre os tabus que ainda cercam a sexualidade e colocam vidas em risco?

Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

Por: Nilson Carvalho

Jornal Papo de Artista Bahia


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