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“O Samba Nasceu Aqui”: Salvador ergue a voz da sua história e coloca o povo no centro do Carnaval 2026

Mais do que festa, a escolha do tema do Carnaval de Salvador 2026 é um ato político, cultural e ancestral.

 

A Prefeitura de Salvador anunciou o tema e a marca oficial do Carnaval 2026, e a mensagem é clara, direta e carregada de identidade: “O Samba Nasceu Aqui”. A folia vai celebrar os 110 anos do primeiro registro do samba no Brasil, reconhecendo suas raízes afro-baianas e o papel decisivo da capital baiana na construção de um dos ritmos mais amados do país.

 

Não é apenas um slogan bonito. É um resgate histórico necessário. É Salvador dizendo ao Brasil — e ao mundo — que o samba não brotou do nada. Ele nasceu nos terreiros, nas rodas, nos batuques e nas comunidades negras, especialmente a partir do samba de roda do Recôncavo Baiano, patrimônio cultural imaterial reconhecido pelo Iphan desde 2005.

 

A Bahia no berço do samba

 

O marco simbólico dessa história é a música “Pelo Telefone”, registrada em 1916 e composta em uma roda de samba na casa da baiana Tia Ciata, mulher fundamental para a difusão do samba no Rio de Janeiro. Embora a autoria da canção ainda gere debates, o que não se discute é a origem: o samba já existia antes, pulsando na Bahia, no corpo e na resistência do povo negro desde o final do século XIX.

 

Trazer esse tema para o Carnaval é mais do que celebrar a música. É reparar apagamentos históricos, valorizar a cultura popular e reafirmar a identidade afro-baiana que sustenta a maior festa de rua do planeta.

 

Quando a marca também fala

 

A logomarca do Carnaval 2026 traduz essa narrativa em imagem. Criada com instrumentos que simbolizam o samba — pandeiro, cavaquinho, viola, atabaque e reco-reco —, a identidade visual aposta em cores vibrantes, inspiradas nas vestimentas do samba de roda do Recôncavo.

 

O pandeiro ganhou protagonismo. E não por acaso. “Viu, ouviu, pensou: samba”, resume o diretor de criação Alisson Percontini. A secretária de Comunicação, Renata Vidal, reforça que o objetivo foi criar uma marca que dialogasse com a história e celebrasse os ícones que o samba representa. Já o presidente da Saltur, Isaac Edington, foi direto: trazer o samba como tema do Carnaval é reafirmar uma verdade histórica.

 

Cultura que gera pertencimento — e benefício social

 

Além da simbologia, a comunicação visual cumpre um papel prático: orientar o público, informar sobre serviços, postos de saúde e organização da cidade durante a folia. Quando bem feita, a comunicação não só embeleza, ela cuida.

 

Um Carnaval que reconhece suas raízes fortalece o turismo, gera renda, impulsiona artistas locais, educa as novas gerações e devolve ao povo o orgulho da sua própria história. Quando a cultura é tratada com respeito, quem ganha é a cidade inteira.

 

Mas é preciso ir além da estética. O desafio está em garantir que essa valorização chegue às comunidades, aos sambistas anônimos, às rodas que resistem fora dos holofotes. Porque samba não vive só no trio elétrico — ele vive no chão da cidade.

 

“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”

 

Reconhecer a origem do samba é um gesto de gentileza histórica com quem sempre sustentou essa cultura, mesmo à margem.

 

 E você, acredita que o Carnaval deve ser também um espaço de memória, identidade e reparação cultural?


Comente, compartilhe e levante essa discussão.


🛑 O silêncio também mata.

 

Por: Nilson Carvalho

Jornal Papo de Artista Bahia


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