SEM ÁGUA, SEM DIGNIDADE: O GRITO DE AREMBEPE E DA COSTA DE CAMAÇARI NO INÍCIO DE 2026
- Nilson Carvalho

- 1 de jan.
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
O ano mal começou e, para o povo de Arembepe e adjacências, a sensação é a mesma de sempre: problemas velhos, descaso antigo e indignação renovada. Enquanto muitos celebravam a virada do ano com esperança, centenas de famílias da Costa de Camaçari enfrentaram um drama que já virou rotina — a falta de água, um direito básico que segue sendo negado.
O Jornal Papo de Artista Bahia recebeu uma enxurrada de denúncias nos últimos dias. Moradores relatam dias — e em alguns casos semanas — sem uma gota de água nas torneiras. Casas cheias de crianças, idosos, famílias inteiras em pleno verão, e a pergunta ecoa nas ruas: cadê a água, Embasa?
A revolta não é exagero, é sobrevivência.
Dona Rita, moradora de Arembepe há mais de 40 anos e hoje com 75 anos de idade, desabafa com a voz cansada, mas firme:
“Isso acontece todo ano, meu amigo. Só temos o Senhor para fazer o mundo saber o que passamos com a Embasa.”
O impacto vai além das residências. Pequenos comerciantes acumulam prejuízos gigantes. Pousadas, hotéis, casas de veraneio ficam sem condições mínimas de funcionamento. Turistas chegam para descansar e encontram torneiras secas, banheiros inutilizáveis e cozinhas paradas.
Dona Janete resume o sentimento coletivo:
“Os recibos não param de chegar, mas a água some. É uma doença crônica que nunca se cura.”
Pagadores em dia, cidadãos esquecidos.
Paulo Ricardo Mendonça, Ana, Bárbara, Clodoaldo, Pedro — são dezenas de nomes, histórias e famílias que cumprem suas obrigações, mas quando mais precisam, ficam sem o essencial. Água não é luxo, é direito.
O desespero ganha contornos ainda mais dolorosos na fala do senhor Manoel, de 80 anos:
“Nós e nossos bisnetos vamos tomar banho onde? Nem água para cozinhar temos.”
Essa não é apenas uma denúncia. É um alerta social. A falta de água compromete a saúde, a higiene, a economia local e a dignidade humana. Em pleno início de 2026, é inadmissível que comunidades inteiras sejam tratadas com tamanho desprezo.
O povo da Costa de Camaçari não pede favor. Exige respeito.
Exige planejamento, transparência e soluções reais — não desculpas repetidas ano após ano.
Água é vida. Negá-la é violência social.
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Foto: Internet







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