Salvador Refém do Medo: Quando Trabalhar Vira Risco de Vida nas Ruas da Cidade
- Nilson Carvalho

- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
Mais uma vez, Salvador acorda assustada e indignada. Desta vez, o medo não bateu à porta de criminosos ou poderosos, mas alcançou dois trabalhadores comuns, técnicos de telefonia, que saíram de casa apenas para cumprir sua jornada de trabalho — e acabaram sequestrados em plena luz do dia, no bairro de Luiz Anselmo.
Os dois homens, de 19 e 43 anos, foram abordados por seis indivíduos armados, supostamente ligados a uma facção criminosa. O serviço foi interrompido à força. O direito de trabalhar foi arrancado junto com a liberdade. Celulares foram roubados, e o terror psicológico tomou conta do momento. Eles só foram liberados após uma chamada de vídeo, em que outro criminoso “autorizou” a soltura. É como se a vida tivesse sido colocada em espera, aguardando permissão para continuar.
Isso não é apenas um caso policial. É um retrato cruel da realidade que o povo vive.
O episódio está sendo investigado pela 6ª Delegacia Territorial de Brotas como sequestro-relâmpago e extorsão, mas a pergunta que ecoa nas ruas é mais profunda:
até quando trabalhadores serão tratados como reféns do crime organizado?
Quando o crime manda, o povo se cala por medo
A ação criminosa escancara um problema que vai além da violência em si: a normalização do domínio territorial por facções, que decidem quem pode circular, trabalhar ou sobreviver em determinadas áreas. Técnicos, entregadores, motoristas, comerciantes e moradores seguem reféns de um sistema onde o silêncio é imposto pelo medo.
Quem perde com isso é o povo.
Perde o trabalhador, que sai para ganhar o pão e volta traumatizado.
Perde a comunidade, que fica isolada, sem serviços básicos.
Perde a cidade, que se acostuma com o absurdo.
Segurança pública não pode ser estatística
Enquanto as investigações seguem, a população cobra mais do que relatórios: quer proteção real, presença do Estado e ações que devolvam a dignidade de ir e vir. Não é aceitável que criminosos ditem regras e decidam quem vive ou morre — ou quem pode simplesmente trabalhar.
O povo precisa falar, compartilhar, denunciar e cobrar.
Porque quando a violência vira rotina, a injustiça se fortalece.
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se hoje foi o técnico de telefonia, amanhã pode ser qualquer um de nós. Até quando vamos aceitar o medo como parte do cotidiano?
Foto: internet







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