top of page

🚌⚠️ RODOVIÁRIA NOVA, FUTURO INCERTO: QUEM PAGA A CONTA DO PROGRESSO EM SALVADOR? ⚠️🚌

O progresso chegou de mala nova em Salvador. Moderna, ampla, tecnológica e cheia de promessas, a Nova Rodoviária da Bahia, em Águas Claras, já começou a operar. Para muitos, é motivo de orgulho. Para outros, é motivo de medo. Porque o novo, quando não é pensado para todos, pode excluir — e excluir também é uma forma silenciosa de violência social.

 

A antiga rodoviária não era apenas um ponto de chegada e partida. Era um coração econômico pulsando, onde camelôs, permissionários, restaurantes populares e trabalhadores informais sustentavam famílias inteiras. Gente simples que vive do movimento, do olhar do passageiro, da moeda contada, do lanche barato para quem viaja com pouco dinheiro no bolso.

 

Hoje, esse coração corre o risco de parar.

 

Miguel Pacheco, comerciante há 30 anos na passarela, resume o sentimento coletivo: “Isso aqui vai virar a Barroquinha”. Um alerta forte, que ecoa na memória de quem viu centros comerciais morrerem lentamente após decisões tomadas sem ouvir o povo. Miguel criou filhos, construiu casa e dignidade com o comércio popular. Agora, vive a angústia de não saber como será o amanhã.

 

Ceará, outro guerreiro do comércio informal, vende salgado com suco a R$ 7,50 — preço que cabe no bolso de quem não tem escolha. Ele questiona o modelo implantado: “Alguém pensou que nem todo mundo pode comer num fast food?”. A nova rodoviária, isolada e cercada por metrô e estações, corta o fluxo humano que sustentava o comércio raiz. Resultado: menos gente passando, menos vendas, mais desemprego.

 

Dentro da rodoviária antiga, o clima é de despedida. Restaurantes fechando as portas, comerciantes desistindo por não conseguir arcar com aluguéis de padrão shopping, reformas milionárias e exigências fora da realidade de quem sempre viveu do suor diário. Um permissionário foi direto: “Ontem foi meu último dia. Vou procurar outro lugar”.

 

Há quem ainda lute. Seu Vilas, da tradicional loja Dallas, corre contra o tempo tentando vender terrenos para garantir presença no novo espaço. Um esforço que mostra o quanto o custo do “progresso” é alto — e seletivo.

 

Segundo a concessionária, 90% dos comerciantes demonstraram interesse em migrar, mas interesse não é sinônimo de condição financeira. Quem não se enquadra nas novas regras fica de fora. E quem fica de fora, vai para onde?

 

Enquanto isso, a nova rodoviária abre com estrutura pronta, mas comércio ainda engatinhando. Tapumes dominam o espaço. Poucas empresas funcionando. Serviços básicos abertos, mas opções populares inexistentes. Fast food caro substitui o lanche simples. E o povo mais pobre? Fica invisível.

 

A imagem final é simbólica e dolorosa: Seu Afrânio, 79 anos, fazendo sua última viagem na rodoviária antiga com apenas R$ 20 no bolso. Comprou um pastel e um suco para enfrentar cinco horas de estrada. Na nova rodoviária, o que ele conseguiria comprar? Essa pergunta vale mais que qualquer discurso técnico.

 

Modernizar é necessário. Excluir, não.

Progresso que não acolhe o povo deixa de ser avanço e vira retrocesso social.

 

🗣️ Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

✍🏽 Por: Nilson Carvalho

 

Foto: Internet


Comentários


  • Youtube
  • Instagram
  • Facebook

©2025 Papo de Artista Bahia - Todos os direitos autorais reservados.​

(71) 98682-7199
bottom of page