Recife PE - Quando o poder mata: vereador é suspeito, mergulhador perde a vida e o povo cobra justiça
- Nilson Carvalho

- há 4 dias
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A morte do mergulhador e empresário Samy Oliveira, de 42 anos, não é apenas mais um número nas estatísticas da violência brasileira. É um grito sufocado que ecoa do sertão pernambucano para todo o país. Após nove dias lutando pela vida em uma UTI, Samy não resistiu aos ferimentos causados por disparos de arma de fogo e teve o óbito confirmado nesta quinta-feira (22). Com isso, o caso passa a ser tratado oficialmente como homicídio consumado.
O principal suspeito do crime é um vereador em exercício, Cristiano Lima dos Santos, conhecido como “Cristiano da Van”, de 45 anos — um homem eleito pelo povo, que deveria zelar pela vida e pelo bem coletivo. Hoje, ele está foragido.
Samy deu entrada no Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada, com múltiplas perfurações provocadas por tiros, passou por cirurgias de grande porte, mas teve a vida interrompida às 10h40 da manhã. O corpo foi encaminhado ao IML de Caruaru, e a cidade de Petrolândia — conhecida como a “cidade submersa” — agora também afunda em dor, revolta e indignação.
Sob o olhar de um ativista social, este caso ultrapassa os limites de um crime comum. Ele escancara uma ferida perigosa: o uso da violência associado ao poder político. Quando um representante eleito é apontado como suspeito de homicídio, o impacto vai além da vítima direta — atinge a confiança da população nas instituições e no próprio processo democrático.
Samy não era apenas um empresário. Há mais de 14 anos, ele trabalhava com passeios de lancha e mergulho na região da igreja submersa de Petrolândia, ajudando a movimentar o turismo local e garantindo o sustento de sua família. Sua morte representa também um prejuízo social, econômico e humano para a comunidade.
Segundo as investigações, o crime aconteceu no dia 13, quando Samy foi perseguido por um atirador enquanto pilotava uma motocicleta. Mesmo tentando fugir, acabou sendo alcançado e baleado. A Polícia Civil segue apurando a possível participação de outros envolvidos, o que levanta ainda mais preocupação sobre a gravidade do caso.
A Câmara Municipal de Petrolândia divulgou nota repudiando qualquer ato de violência e afirmou que, se confirmadas, as acusações não representam os valores da Casa Legislativa. O posicionamento institucional é importante, mas insuficiente diante da dor de uma família destruída e de uma população que exige respostas.
A pergunta que fica é direta e incômoda:
quem fiscaliza o poder quando ele se transforma em ameaça?
A prisão do suspeito e a elucidação completa do crime são fundamentais não apenas para fazer justiça a Samy Oliveira, mas para enviar um recado claro à sociedade: ninguém está acima da lei. Se isso não acontecer, o recado será outro — o de que o poder pode matar e fugir impune.
⚠️ Justiça que tarda também mata.
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✍🏽 Por: Nilson Carvalho
Foto: Internet







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