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RACISMO - Século 21, mas a senzala ainda assombra: racismo escancarado no coração do Pelourinho

O Pelourinho, símbolo de resistência, cultura negra e memória viva da luta do povo baiano, foi palco de mais um episódio revoltante que prova que o racismo não é passado — é presente, cruel e cotidiano. Em pleno século 21, ainda há quem se ache “senhor de senzala”, como se a história não tivesse ensinado nada.

 

Na última quarta-feira (21), uma turista gaúcha foi presa em Salvador por injúria racial, após ofender e cuspir em uma vendedora ambulante negra durante um evento gratuito na Praça das Artes, no Centro Histórico da cidade. A agressora, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, não apenas proferiu palavras racistas como também tentou reafirmar uma falsa superioridade racial ao declarar: “Eu sou branca”.

 

Segundo o relato da vítima, Hanna, o ataque começou após uma situação comum de trabalho. Ao passar pelo local, a comerciante foi chamada de “lixo”. Ao questionar a agressão, ouviu novamente o insulto — e, em seguida, foi cuspida. Um ato de violência simbólica e física que carrega séculos de opressão, humilhação e desumanização do povo negro.

 

O episódio não parou ali. Mesmo conduzida à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), a suspeita manteve a postura discriminatória, chegando ao absurdo de exigir ser atendida apenas por um delegado branco. Um gesto que escancara o racismo estrutural e a mentalidade colonial que ainda insiste em sobreviver.

 

A prisão da turista é um passo importante e necessário. A legislação brasileira é clara: injúria racial é equiparada ao crime de racismo, sendo inafiançável e imprescritível. Isso não é exagero, é justiça. A ação do Estado sinaliza que a Bahia — terra preta, ancestral e plural — não deve ser tratada como território sem lei para práticas racistas disfarçadas de “opinião”.

 

Mas é preciso ir além da prisão. O benefício real para o povo está no debate público, na educação antirracista, no fortalecimento das políticas de proteção às vítimas e na conscientização de que racismo não é “caso isolado”. É sistema. É estrutura. É violência diária contra corpos negros, especialmente em espaços turísticos, onde trabalhadores informais estão mais expostos à humilhação.

 

O que mais choca é a contradição. Antes do crime, a suspeita publicou fotos sorrindo ao lado de baianas, integrantes dos Filhos de Gandhy, em eventos da Timbalada e na Lavagem do Bonfim — símbolos máximos da cultura negra e da espiritualidade afro-baiana. Um retrato triste da hipocrisia: consumir a cultura negra, mas desrespeitar o povo negro.

 

O Pelourinho não é cenário para racismo. A Bahia não é senzala. E o silêncio da sociedade só fortalece o agressor.

 

A pergunta que fica é direta e incômoda:

até quando pessoas vão achar que cor da pele define valor humano?

 

✊🏾 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.


✍🏽 Por: Nilson Carvalho

 

Foto: Internet


1 comentário


Juthay
há 4 dias

Ao meu vê , as autoridades ainda estão fracas pra esses tipos de composturas ativas principalmente com turistas dessa natureza que vem pra nossa terra e ainda nos descrimina , pra min é sem piedade sem perdão, quando na maioria das vezes fica só uma desculpa e um pedido de perdão, um advogado defendendo e afirmando que a/ou o rascista sofre de algum problema, já estou até vendo, ridículo as leis terá que ser mais severa com essas pessoas …!

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