Quando o silêncio acelera a tragédia: a morte de Chumbinho Becker e o alerta que o Brasil insiste em ignorar
- Nilson Carvalho

- há 3 horas
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A tarde de sábado (31) foi marcada por uma perda que ecoa muito além das pistas de motocross. O Brasil se despediu de Milton “Chumbinho” Becker, um dos maiores ícones do esporte sobre duas rodas, vítima de um acidente de moto na rodovia SC-305, em Campo Erê, interior de Santa Catarina. Aos 56 anos, Chumbinho não era apenas um campeão — era símbolo de resistência, disciplina e paixão por um esporte que, muitas vezes, é celebrado sem o devido cuidado com a vida.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o ex-piloto conduzia uma Yamaha MT-09 Tracker quando perdeu o controle, saiu da pista e caiu em uma ribanceira ao lado de uma ponte. Ao chegarem ao local, os socorristas já o encontraram sem vida. A Polícia Militar Rodoviária aponta, inicialmente, a combinação de excesso de velocidade com as condições da via como possível causa do acidente. Um detalhe que chama atenção e não pode ser ignorado: o limite de velocidade naquele trecho é de apenas 40 km/h.
Chumbinho era gigante. Foram mais de 30 anos de carreira, 70 títulos no currículo, sendo 27 campeonatos brasileiros de motocross e supercross, além de conquistas estaduais e reconhecimento internacional. Um nome que ajudou a construir a história do motocross no Brasil, inspirando gerações de jovens atletas que viam nele a prova de que talento, persistência e profissionalismo podem transformar sonhos em realidade.
A dor da perda foi traduzida em palavras comoventes pelo irmão, Elton Becker, também ex-piloto e campeão:
“Perdi meu irmão, meu amigo, meu ídolo, minha referência. Parte de quem eu sou foi construída ao teu lado… Que dor eu sinto, meu Deus!”. Um desabafo que revela o lado humano por trás do mito — o irmão, o amigo, o exemplo dentro e fora das pistas.
A Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) definiu Chumbinho como “um dos maiores ícones da história do esporte sobre duas rodas no Brasil”. E é justamente por isso que sua morte precisa ser mais do que uma nota de pesar. Precisa virar reflexão coletiva.
Sob o olhar de um ativista social, a tragédia expõe uma ferida antiga: a negligência com a segurança no trânsito, a romantização da velocidade e o descaso com a educação viária. Se até um piloto experiente, forjado em décadas de competições, perde a vida em uma estrada mal sinalizada ou em condições adversas, o que dizer do cidadão comum? Quantas vidas ainda serão ceifadas até que políticas públicas eficazes, fiscalização justa e conscientização real saiam do papel?
Não se trata de apontar culpados, mas de entender que cada morte no trânsito é um fracasso coletivo. Falha do poder público, que muitas vezes não garante estradas seguras. Falha da sociedade, que normaliza o risco. Falha nossa, quando preferimos o silêncio à cobrança.
A despedida de Chumbinho aconteceu neste domingo (1º), no Complexo Oktoberfest, em Itapiranga, sua terra natal. Mas o legado que ele deixa não pode ser enterrado junto com ele. Que sua história sirva de alerta, de aprendizado e de impulso para mudanças urgentes que beneficiem o povo — especialmente os mais vulneráveis nas estradas do Brasil.
Porque quando a gente se cala diante dessas tragédias, o silêncio não consola. O silêncio também mata.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. A vida precisa vir antes da velocidade.
Por: Nilson Carvalho







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