Quando a natureza resiste: o nascimento de uma harpia no Pantanal reacende a esperança em meio à ameaça de extinção
- Nilson Carvalho
- há 25 minutos
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Em tempos em que más notícias sobre o meio ambiente se acumulam, o Pantanal de Mato Grosso do Sul nos entrega um raro sopro de esperança. Pesquisadores localizaram um ninho com um filhote de harpia — a maior águia do planeta — em Corumbá, no Maciço do Urucum. O nascimento, ocorrido no início de janeiro de 2026, não é apenas um evento biológico: é um grito silencioso da natureza dizendo que ainda há tempo de cuidar do que resta.
A harpia, também conhecida como gavião-real, está na lista das espécies “quase ameaçadas” pelo ICMBio e é considerada “ameaçada” em nível estadual. Encontrar um filhote vivo, saudável e sendo cuidado pelos pais em plena região pantaneira é resultado direto de anos de persistência científica. Desde 2025, o único ninho ativo da espécie na região vinha sendo monitorado por pesquisadores. Foram mais de dez anos de buscas até a confirmação de um ponto reprodutivo.
Segundo o biólogo e fotógrafo Gabriel Oliveira, responsável pelo monitoramento, a fêmea permanece quase todo o tempo com o filhote nos primeiros 60 dias, protegendo-o de predadores e das intempéries. Só depois desse período ela passa a sair para caçar com o macho. O cuidado parental pode durar até dois anos e meio, caso o filhote seja fêmea — um dado que revela o quanto a sobrevivência da espécie exige tempo, espaço e tranquilidade, coisas cada vez mais raras na relação do homem com a natureza.
Sob o olhar de um ativista social, esse nascimento escancara uma verdade simples e poderosa: quando há investimento em pesquisa, proteção ambiental e respeito aos territórios naturais, a vida responde. O povo se beneficia diretamente disso, mesmo que nem sempre perceba. Preservar espécies como a harpia ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema, protege a biodiversidade e fortalece o Pantanal como patrimônio natural e cultural, além de impulsionar o turismo sustentável e a educação ambiental.
Por outro lado, o risco é real. A perda de habitat, o desmatamento e a caça ilegal continuam sendo ameaças constantes. Para quem tem pouco entendimento sobre o tema, é fácil explicar: sem floresta, a harpia não caça; sem árvores altas, ela não nidifica; sem proteção, ela desaparece. E quando uma espécie desse porte some, o impacto em cadeia atinge todo o ambiente — e, no fim das contas, o próprio ser humano.
O primeiro registro da harpia na região ocorreu em 2012. Só em 2025 foi localizado um ninho, e agora, em 2026, nasce um filhote. Esse intervalo revela o quão frágil é o processo de reprodução da espécie e o quanto cada nascimento conta como uma vitória coletiva. Não é exagero dizer: salvar a harpia é salvar um pedaço do Pantanal.
Celebrar essa descoberta não pode ser apenas um gesto de orgulho científico. Precisa virar compromisso social. Porque enquanto pesquisadores lutam para proteger a vida, interesses econômicos seguem ameaçando silenciosamente aquilo que ainda resiste.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. Proteger a natureza é proteger a nós mesmos. Quando fingimos não ver, o silêncio também mata.
Por: Nilson Carvalho



