Seis Tiros Contra a Infância: Até Quando Vamos Enterrar Nossos Sonhos em Meio à Violência?
- Nilson Carvalho
- há 28 minutos
- 2 min de leitura

O que era para ser um sábado de alegria virou luto, revolta e silêncio ensurdecedor. Sophia Loren Soares Camilo, uma menina de apenas 10 anos, foi brutalmente assassinada com seis tiros enquanto seguia com o pai para uma simples festa de aniversário na comunidade do Gogó da Ema, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Uma criança a caminho da celebração da vida foi interrompida pela face mais cruel da violência desenfreada que assola o país.
Pai e filha estavam dentro do carro quando foram abordados por um homem armado. Mesmo após o pai obedecer à ordem de parada, acionar o pisca-alerta e se identificar como morador da região, os disparos foram efetuados. O carro recebeu pelo menos oito tiros. Sophia, sentada no banco de trás, foi atingida no peito e na perna. O pai também ficou ferido, mas, em um ato desesperado de amor, ainda conseguiu dirigir até a UPA do bairro Bom Pastor. A menina chegou a ser transferida para o Hospital Adão Pereira Nunes, mas não resistiu.
O relato da família corta a alma. Sophia era descrita como uma criança doce, carinhosa, cheia de sonhos. “Ela adorava abraçar, já falava dos projetos dela, mesmo sendo coisa de criança”, contou o tio, Victor Rocha. Projetos, sonhos, futuro — tudo foi arrancado por um ato de brutalidade que destruiu duas famílias ao mesmo tempo: a da criança que morreu e a do pai que seguirá vivendo com a dor irreparável.
O suspeito, identificado como Weverson Gomes da Silva, foi preso em flagrante pela Polícia Militar. A arma usada no crime foi apreendida. Ainda assim, a dor da família se soma a um sentimento coletivo de insegurança. Quantas Sophias ainda precisarão morrer para que a vida volte a valer mais do que o gatilho fácil? Quantas famílias ainda precisarão implorar por justiça?
Do ponto de vista social, esse crime expõe uma ferida aberta: a normalização da violência armada nas periferias, a sensação de abandono e a falha em garantir o direito mais básico de todos — o direito de viver. Não se trata apenas de um caso policial; é um retrato cruel de um país onde crianças já não estão seguras nem dentro de um carro ao lado do próprio pai.
A investigação está a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). A família clama por justiça e por respostas. O povo clama por mudança. Porque viver refém do medo não pode ser o nosso destino.
Quando uma criança é assassinada, não é só uma família que sangra — é toda a sociedade que falha.
👉 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata. Até quando vamos conviver com a violência desenfreada?
✍️ Por: Nilson Carvalho
Jornal Papo de Artista Bahia



