Quando a Imagem Vira Armadilha: o Caso que Expõe a Violência Digital Contra Mulheres na Bahia
- Nilson Carvalho

- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho - Papo de Artista Bahia
O que deveria ser arte virou crime. O que parecia oportunidade se transformou em trauma. A prisão de um fotógrafo investigado por divulgar e vender imagens íntimas de mulheres escancara uma ferida aberta na sociedade: a exploração do corpo feminino no ambiente digital e a fragilidade da segurança para quem vive da própria imagem.
O suspeito foi identificado como Matheus Mendes de Lima Gomes, de 27 anos, estudante da UFBA e morador do bairro nobre de Ondina, em Salvador. Ele foi preso preventivamente no dia 3 de janeiro e teve o apartamento alvo de mandados de busca durante a Operação Imagem Protegida, realizada pelas polícias da Bahia e do Rio Grande do Sul.
Segundo as investigações, Matheus abordava mulheres — principalmente influenciadoras e modelos — oferecendo ensaios fotográficos por valores muito abaixo do mercado, entre R$ 30 e R$ 50. A proposta vinha disfarçada de “projeto artístico”, apresentada pelas redes sociais, especialmente pelo Instagram, onde ele se identificava como fotógrafo profissional.
Durante as sessões, de acordo com a polícia, as vítimas eram induzidas a retirar peças de roupa. As imagens, feitas em um ambiente de aparente confiança, teriam sido posteriormente vendidas sem consentimento em sites de conteúdo adulto. Um golpe silencioso, que mistura manipulação emocional, abuso de confiança e crime digital.
A operação resultou na apreensão de aparelhos eletrônicos, que agora passam por perícia técnica especializada. O objetivo é aprofundar as investigações, identificar outras possíveis vítimas e mapear a extensão do esquema.
Mais do que um caso policial, o episódio levanta um alerta urgente: quantas mulheres ainda são vítimas de violência digital sem saber? Quantas têm suas imagens roubadas, comercializadas e usadas como mercadoria, enquanto os criminosos se escondem atrás de perfis “profissionais” e discursos sedutores?
A ação policial representa um passo importante no combate a esse tipo de crime, mas também revela a necessidade de informação, prevenção e coragem para denunciar. O silêncio, nesse contexto, não protege — ele fortalece o agressor.
📢 Denunciar é um ato de resistência. Compartilhar informação é salvar outras mulheres.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Foto: Internet







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