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Quando a fé sangra: violência mancha a Lavagem do Bonfim e expõe feridas abertas da sociedade baiana

A Lavagem do Senhor do Bonfim sempre foi sinônimo de fé, amor, tradição e esperança. Um encontro do sagrado com o povo, onde mãos se dão, preces se elevam e a cultura baiana se afirma diante do mundo. Mas, neste ano, a festa que deveria celebrar a vida foi interrompida pelo barulho seco dos tiros — e pelo silêncio ensurdecedor da dor.


No último dia 15 de janeiro, em meio à multidão que acompanhava a tradicional caminhada religiosa, um ataque a tiros transformou a Avenida Jequitaia, no bairro da Calçada, em cenário de pânico. O resultado foi trágico: Joilson Santana de Souza, de 30 anos, perdeu a vida, e outras sete pessoas ficaram feridas, entre homens e mulheres que apenas participavam de um ato de fé.


Nesta sexta-feira (23), a Polícia Civil prendeu um homem de 26 anos, apontado como autor dos disparos. Ele foi localizado no bairro de Monte Serrat após investigações conduzidas pela Operação Cortejo, que mobilizou diferentes setores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo as apurações, o crime teria ocorrido durante uma confusão envolvendo o suspeito, o irmão dele e populares que acompanhavam o evento.


A prisão representa uma resposta do Estado, mas não apaga a pergunta que ecoa nas ruas, nos terreiros, nas igrejas e nos corações do povo baiano:


por que tanta violência em uma festa que é fé, amor e devoção ao Senhor do Bonfim?

Sob o olhar de um ativista social, é impossível tratar este episódio apenas como mais um caso policial. Ele revela algo mais profundo: a banalização da violência, a facilidade de acesso às armas e a incapacidade coletiva de proteger espaços que deveriam ser sagrados — não apenas no sentido religioso, mas humano.


A ação rápida da polícia pode trazer um sentimento de justiça, sim. Ajuda a evitar a impunidade e sinaliza que crimes não ficarão sem resposta. Mas o benefício real para o povo só virá quando formos além da prisão. Quando discutirmos políticas públicas de prevenção, educação, cultura de paz e segurança cidadã. Quando entendermos que a violência não nasce do nada — ela é fruto de desigualdades, intolerância, falta de diálogo e ausência do Estado onde ele mais deveria estar.


Enquanto as investigações seguem para esclarecer a motivação do ataque e possíveis participações de terceiros, ficam as famílias marcadas pela dor, os feridos tentando se reconstruir e uma festa tradicional que carrega agora uma cicatriz.

A Lavagem do Bonfim pede silêncio para a fé, mas não pede silêncio diante da violência.


Calar é permitir que ela volte a se repetir.


A pergunta que fica é simples e urgente:


até quando vamos aceitar que o ódio invada espaços de amor?


🗣️ Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.


✍🏽 Por: Nilson Carvalho

 

Foto: Internet


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