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Inacreditável - Sem remédio no posto, sem segurança na rua — mas com trio elétrico milionário: o povo paga a conta

Em pleno interior da Bahia, um contrato público levanta revolta, questionamentos e um sentimento amargo de inversão de prioridades. Enquanto falta saúde, segurança e educação básica para a população, a Prefeitura de Alcobaça decidiu empenhar R$ 3,1 milhões na contratação de trios elétricos, som, iluminação e artistas para eventos em 2026. Para muitos moradores, o som que ecoa não é de festa — é de indignação.

 

Alcobaça tem pouco mais de 24 mil habitantes, segundo o IBGE. É uma cidade onde o povo conhece de perto as dificuldades do dia a dia: posto de saúde sem estrutura, escolas carentes de investimento, ruas que clamam por mais segurança. Ainda assim, o município, administrado pelo prefeito Givaldo Muniz (PT), o Zico de Baiato, firmou contrato milionário com a empresa Mirante Serviços e Locações Ltda., com vigência de dezembro de 2025 a dezembro de 2026, podendo inclusive ser prorrogado.

 

Sob o olhar de um ativista social, a pergunta é inevitável: qual é a prioridade real da gestão pública?

Cultura é importante, sim. Festa também é direito do povo. Mas quando o básico não é garantido, o luxo vira provocação.

 

O contrato não chama atenção apenas pelo valor. O documento prevê a possibilidade de novos aportes financeiros no futuro, por meio de apostilamentos, ampliando ainda mais os gastos. Ou seja, os R$ 3,1 milhões podem não ser o teto final. Para piorar, não há exigência de garantia contratual, mesmo diante de um montante tão elevado — uma decisão que expõe o dinheiro público a riscos claros.

 

A própria matriz de riscos do contrato admite a possibilidade de problemas financeiros, atrasos de recursos e até falhas de segurança na estrutura dos eventos, que podem colocar em risco a vida do público. Ainda assim, o poder público segue assumindo a maior parte da responsabilidade, enquanto o povo fica com a parte mais frágil: a consequência.

 

É verdade que o contrato prevê sanções, multas e punições em caso de irregularidades. Mas quem vive a realidade sabe: depois que o dinheiro sai do cofre público, o prejuízo raramente volta inteiro. E quando volta, já deixou marcas profundas.

 

O discurso oficial costuma dizer que o valor é “meramente estimado”. Mas para quem espera atendimento médico, merenda escolar de qualidade ou policiamento efetivo, R$ 3,1 milhões não são estimativa — são esperança perdida.

 

O debate não é contra a cultura. É contra a desigualdade de escolhas. Não se trata de acabar com festas, mas de perguntar: por que sempre há dinheiro para o palco, mas nunca para o leito? Para o trio, mas não para o livro? Para o show, mas não para a segurança?

 

O povo não é contra alegria. O povo é contra o abandono.

 

🗣️ Fica a pergunta que ecoa mais alto que qualquer trio elétrico:

de que adianta festa se falta dignidade?

 

 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.


✍🏽 Por: Nilson Carvalho

 

Foto: Internet


 
 
 

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