Ieda Maria Vargas: A Coroa que Elevou o Brasil e o Silêncio que Nos Faz Refletir
- Nilson Carvalho

- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia
O Brasil amanheceu mais silencioso nesta semana. Morreu, aos 80 anos, Ieda Maria Vargas, a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo, um feito histórico que, em 1963, colocou o país no centro do mundo. Mais do que um símbolo de beleza, Ieda representou, em sua época, autoestima, reconhecimento e pertencimento para um povo que ainda buscava se enxergar como protagonista no cenário internacional.
Nascida em Porto Alegre, em 31 de dezembro de 1944, Ieda venceu o Miss Universo aos 18 anos, em Miami Beach, nos Estados Unidos. Era jovem, simples, vinda do Sul do país, e carregava nos olhos o brilho de quem não imaginava a dimensão do que estava prestes a acontecer. Sua vitória não foi apenas pessoal: foi coletiva. O Brasil, naquele momento, se viu respeitado, admirado e celebrado.
Como ativista social, é impossível não olhar para essa trajetória com um misto de orgulho e reflexão crítica. O concurso de beleza, para muitos, pode parecer algo distante da realidade do povo. Mas, naquele contexto histórico, a vitória de Ieda abriu portas simbólicas importantes. Mostrou que o Brasil podia ir além dos estereótipos, que havia talento, disciplina e identidade nacional capazes de conquistar o mundo.
Ao mesmo tempo, sua escolha por uma vida discreta após o reinado também diz muito. Ieda poderia ter explorado a fama, seguido carreira artística, capitalizado sua imagem. Não o fez. Preferiu o recolhimento, a família, a vida longe dos holofotes. Esse gesto nos convida a refletir sobre os valores que exaltamos hoje: até que ponto a exposição excessiva é sinônimo de sucesso? E quem realmente se beneficia dela?
Ieda enfrentou desafios duros ao longo da vida. Aos 55 anos, sofreu um AVC que comprometeu sua memória e fala, mas mostrou força ao se recuperar. Após ficar viúva em 2009, mudou-se para Gramado, onde viveu seus últimos anos. Sua história é marcada não apenas por glamour, mas por resiliência — algo que o povo brasileiro conhece bem.
Reconhecida como uma das “20 Gaúchas que Marcaram o Século XX”, ao lado de nomes como Elis Regina, Mario Quintana e Getúlio Vargas, Ieda Maria Vargas entra para a história não apenas como Miss Universo, mas como um símbolo de uma época em que o Brasil acreditou mais em si mesmo.
Sua morte nos faz pensar: que tipo de ídolos estamos construindo hoje? Quem são as pessoas que realmente representam o povo, sua luta, sua dignidade e sua esperança? A história de Ieda nos lembra que conquistas individuais podem, sim, gerar orgulho coletivo — desde que não nos façam esquecer das batalhas diárias da maioria da população.
Que a história de Ieda Maria Vargas nos inspire a valorizar nossas raízes, repensar nossos ídolos e compartilhar memórias que fortalecem a identidade do povo brasileiro. Curta, comente e compartilhe: que Brasil você quer ver reconhecido pelo mundo?
Foto: Internet







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