FILA DA HUMILHAÇÃO: QUANDO O DIREITO DO POVO VIRA MERCADORIA NA BAHIA
- Nilson Carvalho

- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia
“Até quando o cidadão vai pagar para acessar o que já é seu por direito?”
O povo acorda cedo, enfrenta sol, chuva e sistemas fora do ar. Do outro lado, uma engrenagem silenciosa transforma a dor da espera em negócio lucrativo. Na Bahia, uma investigação da Polícia Civil escancara mais um capítulo vergonhoso da nossa realidade: servidores e intermediários cobravam de R$ 10 a R$ 100 para furar a fila do agendamento do novo RG. Um documento básico, essencial para trabalhar, estudar, viajar e existir oficialmente no país, virou moeda de troca.
A chamada Operação Vaga Vip revela algo ainda mais cruel do que o crime em si: a normalização da injustiça. Vagas que deveriam ser gratuitas, oferecidas pelo sistema oficial do Governo do Estado, eram capturadas e revendidas como se fossem privilégio. Quem podia pagar, passava na frente. Quem não podia, continuava invisível.
E é aí que mora o impacto social mais grave. Não estamos falando apenas de corrupção administrativa. Estamos falando de mães que precisam do RG para acessar benefícios, jovens impedidos de tirar documentos para o primeiro emprego, idosos barrados em atendimentos básicos. Quando um serviço público é vendido, o prejuízo não é só financeiro — é humano.
A operação cumpriu mandados em Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Candeias e Remanso. Servidores foram afastados, investigações seguem em curso. Mas a pergunta que ecoa nas ruas é outra: quantos ficaram para trás enquanto alguns lucravam com a necessidade do povo?
A denúncia partiu da própria coordenação da Rede SAC, que colaborou com as investigações. Isso mostra que ainda existem servidores comprometidos com a ética. Mas também escancara uma ferida antiga: sistemas frágeis, fiscalização insuficiente e uma cultura onde o “jeitinho” vira regra — sempre penalizando quem mais precisa.
O combate à corrupção não pode parar na operação policial. Precisa virar compromisso diário, com transparência, controle social e respeito ao cidadão. Porque quando o Estado falha, o povo paga duas vezes: nos impostos e na humilhação.
O que mais falta acontecer nesta sociedade corrupta?
Compartilhe, reflita e comente: indignação também é uma forma de resistência.
Foto: Internent







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