Explosão de Indignação em Camaçari: Trabalhadores da BYD Enfrentam Bombas, Demissões e a Invisibilidade do Poder!
- Nilson Carvalho

- 9 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia
O que era para ser apenas mais um dia de protesto pacífico virou um cenário de tensão, injustiça e desrespeito na porta da futura fábrica da BYD, em Camaçari. No oitavo dia de paralisação, cerca de 2 mil trabalhadores terceirizados — homens e mulheres que acordam antes do sol para levantar o gigante que promete revolucionar a economia baiana — foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo, escudos e cassetetes.
Sim, os mesmos trabalhadores que constroem o progresso foram tratados como inimigos.
Vídeos enviados à imprensa mostram policiais militares avançando contra operários que apenas bloqueavam a entrada dos ônibus como forma de pressão. Algo simples: protesto por dignidade. Algo básico: pedido por condições humanas de trabalho. Algo justo: respeito.
Mas a resposta veio na forma de violência.
E o silêncio da corporação... esse pesa ainda mais.
A pergunta que ecoa é simples:
Quem é que está errado: quem luta pelo mínimo ou quem responde ao povo com bombas?
Os trabalhadores — terceirizados por ao menos seis empresas — cruzaram os braços desde o dia 2. E não foi por luxo, foi por necessidade: refeitório insuficiente, banheiros em falta, transporte precário, condições inadequadas. A conta não fecha quando o lucro sobe, mas o trabalhador segue invisível.
E, para piorar, denúncias de que operários receberam demissões por justa causa via aplicativo, apenas por exporem o que estava errado. Uma prática covarde, ilegal e que tenta calar quem mais precisa ser ouvido.
O sindicato reforça: desligar sindicalizados ou candidatos à CIPA fere a CLT.
Mas quando a dignidade vira obstáculo, o poder tenta sempre atropelar.
Pequenas vitórias, grandes batalhas
Só depois do caos e da pressão social é que algumas demandas foram atendidas:
🚻 Novos banheiros químicos
💧 Bebedouros com água gelada
🚚 Carros-pipa
🔥 Microondas novos
🚌 Ampliação da frota de ônibus interno
Mas isso é o mínimo. É o básico. É o que já deveria existir.
Ainda faltam reajustes no transporte e na alimentação, avaliação de insalubridade e preço justo no almoço de sábado. Porque quem ergue uma fábrica precisa, no mínimo, ser tratado como gente.
E aí, Bahia? Vamos fingir que não vimos?
Esse episódio precisa ser lembrado, discutido e compartilhado.
Porque quando o trabalhador é calado, o futuro da cidade silencia junto.
E o Papo de Artista Bahia seguirá mostrando aquilo que muitos tentam esconder:
a verdade nua, crua e necessária — mesmo quando ela incomoda os grandes.
“Quando a injustiça fala mais alto, o silêncio do povo se torna perigo. Compartilhe para que ninguém tenha coragem de apagar essa verdade.”
Foto: Internet







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