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DO ABRAÇO NA VIRADA ÀS CINZAS DO ÓDIO: ATÉ QUANDO A VIDA DAS MULHERES SERÁ QUEIMADA PELA COVARDIA?


Por: Nilson Carvalho

 

Mais uma manchete que dói. Mais uma tragédia que revolta. Mais duas mulheres arrancadas da vida por uma sociedade adoecida, machista e violenta, que insiste em normalizar o ódio como se fosse amor e o controle como se fosse direito. Até quando teremos que escrever textos como este? Até quando vamos chorar vidas que poderiam — e deveriam — estar vivas?

 

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Micaela e Kacymyra sorrindo, dançando e se abraçando na festa de Réveillon promovida pela prefeitura de Remanso, no norte da Bahia. Era madrugada, o dia já clareava, e ali estavam duas mulheres celebrando a chegada de um novo ano, cheias de vida, afeto e esperança. Menos de 24 horas depois, o que restou foram corpos carbonizados, sonhos interrompidos e uma dor impossível de explicar.

 

Segundo informações da Polícia Militar, equipes da 25ª CIPM foram acionadas após um incêndio em uma casa na Avenida José Dias Ribeiro. As chamas foram controladas com ajuda de moradores, mas dentro do imóvel estavam três corpos sem vida. Além das duas mulheres, foi encontrado o corpo de Igor Galvão de Sousa, de 31 anos, ex-companheiro de uma das vítimas.

 

As investigações apontam que ele invadiu a casa, ateou fogo no quarto onde Micaela e Kacymyra estavam e, em seguida, tirou a própria vida. Um ato brutal, premeditado e cruel. O caso é tratado como feminicídio seguido de suicídio.

 

Não se trata de “crime passional”. Não é “ciúme”. É feminicídio. É ódio. É a expressão mais extrema de uma cultura que não aceita a liberdade das mulheres, que não respeita o direito de amar, de seguir em frente, de viver sem medo. Uma cultura que mata porque se sente dona da vida alheia.

 

Os impactos dessa violência vão muito além das vítimas diretas. Famílias destruídas, comunidades traumatizadas, crianças e jovens aprendendo, desde cedo, que o mundo pode ser um lugar perigoso demais para as mulheres. Cada caso como esse escancara a falência de um sistema que falha na prevenção, na proteção e na educação para o respeito.

 

É preciso dizer com todas as letras: enquanto a sociedade silenciar, relativizar e tratar esses crimes como algo “inevitável”, novas Micaelas e Kacymyra continuarão morrendo. A violência contra a mulher não é um problema individual, é um problema social, estrutural e urgente.

 

Que esse crime não vire apenas mais um número nas estatísticas. Que essa dor se transforme em indignação, cobrança e mudança.

 

Chega de covardia. Chega de silêncio. Até quando vamos permitir que o amor termine em cinzas? Comente, compartilhe e levante essa voz — porque vidas importam.

 

Foto: Internet


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