🖤✨ DA PERIFERIA AO ALTAR DA ANCESTRALIDADE: CAROL XAVIER É COROADA DEUSA DO ÉBANO DO ILÊ AIYÊ 2026 ✨🖤
- Nilson Carvalho

- 19 de jan.
- 2 min de leitura

A ancestralidade voltou a ocupar o centro do palco em Salvador. Na Senzala do Barro Preto, no Curuzu — território sagrado de resistência negra — foi escrita mais uma página histórica da cultura afro-brasileira. Na madrugada entre sábado (17) e domingo (18), Carol Xavier, jovem de 27 anos, moradora de Sussuarana, foi eleita a 45ª Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil.
Mais do que uma coroa, Carol carrega uma trajetória que representa milhares de mulheres negras que lutam diariamente por espaço, dignidade e voz. Estudante de jornalismo, professora de dança afro infantil, empreendedora, comunicadora e mãe atípica, ela simboliza uma beleza que vai além do físico: é beleza que educa, que conscientiza e que transforma.
A Noite da Beleza Negra não é apenas um concurso. É um ato político, social e cultural. Ao longo dos anos, o Ilê Aiyê tem mostrado que exaltar a beleza negra é também combater o racismo estrutural, fortalecer a autoestima do povo preto e reafirmar identidades historicamente marginalizadas. Cada mulher que pisa naquele palco carrega a história de um povo que resistiu à escravidão, ao apagamento e à desigualdade.
Carol já vinha construindo esse caminho há anos. Em 2014, foi princesa Odara da Beleza Negra de Sussuarana, depois rainha Odara, Rainha Malê Debalê em 2020 — em plena pandemia — quando usou as redes sociais como ferramenta de empoderamento e denúncia social. Também foi princesa do Ilê Aiyê até alcançar, agora, o posto máximo da Beleza Negra.
O tema deste ano, “Entre turbantes e cocares: o encontro de coroas”, foi um grito contra o silenciamento histórico dos povos afrodescendentes e indígenas. A homenagem à cidade de Maricá (RJ) e ao povo Tupinambá reforça que não há futuro sem memória, nem justiça sem reconhecimento das raízes.
A presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, no evento reforçou o peso simbólico e político da coroação. Em tempos de retrocessos e tentativas de apagamento cultural, iniciativas como essa mostram que investir na cultura é investir na educação, na identidade e na cidadania do povo.
Os troféus entregues às vencedoras, criados pelo artista Aless Teixeira, representam “a grande mãe” — símbolo de quem sustenta a sociedade. Uma metáfora poderosa para a mulher negra, que historicamente carrega o Brasil nas costas, mas raramente recebe o devido reconhecimento.
A coroação de Carol Xavier não beneficia apenas uma pessoa. Ela fortalece uma coletividade, inspira jovens da periferia, reafirma o papel transformador da cultura e mostra que a beleza negra é ferramenta de resistência e mudança social.
✊🏾🖤 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
✍🏾 Por: Nilson Carvalho
Foto: Internet







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