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BAHIA NO CENTRO DO MAPA ENERGÉTICO: DUAS NOVAS REFINARIAS PROMETEM EMPREGOS, DESENVOLVIMENTO — E LEVANTAM ALERTAS PARA O POVO


Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia

 

A Bahia volta a ocupar um lugar estratégico no cenário energético do Brasil. Em 2026, o estado deve ganhar duas novas refinarias de petróleo e gás, uma em Simões Filho e outra em Camaçari, ambas na Região Metropolitana de Salvador. A informação consta no Painel Dinâmico de Autorizações de Refinarias, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), e reacende esperanças — mas também questionamentos — sobre o verdadeiro impacto desse avanço para o povo baiano.

 

Em um estado marcado por contrastes profundos, onde convivem polos industriais bilionários e comunidades ainda carentes de oportunidades, a chegada dessas refinarias desperta uma pergunta essencial: desenvolvimento para quem?

 

O que está previsto

 

A refinaria da Brasil Refinarias, instalada no Centro Industrial de Aratu (CIA), em Simões Filho, já tem cerca de 95% das obras concluídas. A expectativa é que produza 736 barris de petróleo por dia, aguardando apenas ajustes no cronograma final para entrar em operação.

 

Já a refinaria da Dax Oil, em Camaçari, tem previsão de inauguração para maio de 2026 e promete uma produção bem mais robusta: 15.695 barris por dia. Os números impressionam e colocam novamente a Bahia como protagonista no setor de petróleo e gás.

 

Emprego, renda e esperança

 

Na prática, a chegada dessas refinarias pode significar geração de empregos diretos e indiretos, aquecimento da economia local, fortalecimento da cadeia produtiva e aumento da arrecadação de impostos. Para milhares de famílias da RMS, isso representa esperança de trabalho digno, renda e mais oportunidades.

 

Mas o povo já aprendeu, na pele, que grandes anúncios nem sempre se traduzem em benefícios reais. É preciso garantir que essas vagas não fiquem restritas a poucos, que haja capacitação da mão de obra local e que os municípios recebam contrapartidas sociais claras.

 

Desenvolvimento sem justiça vira exploração

 

Outro ponto que exige atenção é o impacto ambiental e social. Refinarias movimentam a economia, mas também geram riscos. Sem fiscalização rigorosa, transparência e participação popular, o progresso pode custar caro às comunidades do entorno — com poluição, pressão urbana e desigualdade ampliada.

 

Além disso, a notícia de que a Petrobras negocia a recompra da Refinaria de Mataripe, hoje sob controle do fundo árabe Mubadala (via Acelen), traz à tona um debate sensível: o controle da energia deve servir ao mercado ou ao interesse público? Energia cara pesa no bolso do povo, no transporte, no gás de cozinha e no custo de vida.

 

O futuro que queremos construir

 

A Bahia tem potencial para ser potência energética com responsabilidade social. Refinarias não podem ser apenas símbolos de lucro e cifras bilionárias. Precisam gerar desenvolvimento que chegue à ponta, às comunidades, aos trabalhadores e às famílias que sustentam esse estado com suor e resistência.

 

O povo não quer só anúncios. Quer resultados. Quer emprego, quer gás mais barato, quer respeito ao meio ambiente e quer voz nas decisões que moldam o futuro da Bahia.

 

A pergunta que fica é simples e direta: essas refinarias vão refinar apenas petróleo ou também dignidade, justiça social e oportunidades reais?

Comente, compartilhe e reflita: desenvolvimento só vale a pena quando inclui o povo.

 

Foto: Internet


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