ANO NOVO, MEDO VELHO: ATÉ QUANDO A BAHIA VAI VIVER REFÉM DA VIOLÊNCIA?
- Nilson Carvalho

- 6 de jan.
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
O ano muda no calendário, mas para o povo baiano os problemas parecem os mesmos — ou piores. A pergunta ecoa nas ruas, nas casas e no silêncio das noites sem sono: cadê a segurança, governador? Hoje, o medo mora dentro de casa. Literalmente.
Um senso popular que circula entre o povo é duro e simbólico: 95% das famílias baianas vivem com medo. Medo de sair, medo de ficar, medo de trabalhar, medo de não voltar. A Bahia que já foi chamada de “terra da alegria”, do encontro na porta de casa, das tardes tranquilas em Itapoã, parece cada vez mais distante da sua própria memória.
O caso ocorrido em Paripe, no subúrbio de Salvador, é mais um retrato cruel dessa realidade. Sete homens invadiram uma residência, fizeram duas pessoas reféns — entre elas, uma adolescente de apenas 16 anos — e transformaram o crime em espetáculo, obrigando a jovem a fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Uma cena que mistura violência, humilhação e o uso perverso da tecnologia para espalhar terror.
A resposta policial foi rápida e eficiente. A ação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil, com apoio do Bope, resultou na libertação das vítimas e na prisão dos suspeitos. Nenhuma vida foi perdida, e isso precisa ser dito e reconhecido. Os guerreiros e guerreiras da PM e da Civil seguem fazendo sua parte com coragem, responsabilidade e zelo pela vida.
Mas a sensação que fica é amarga: parece que estão enxugando gelo.
Enquanto armas, drogas e facções seguem avançando, o povo se pergunta até quando vai viver acuado. Foram apreendidos quase dois mil pinos de cocaína, maconha, celulares e dinheiro — prova de que o crime está organizado, financiado e cada vez mais ousado. E quando o crime entra na casa do cidadão comum, algo muito grave já foi rompido: a última fronteira da segurança.
Essa violência não afeta apenas quem é vítima direta. Ela adoece a sociedade inteira. Crianças crescem com medo, famílias se isolam, comunidades se fecham. O direito básico de ir e vir, de sentar na porta de casa, de viver a cidade, vai sendo arrancado aos poucos.
Segurança pública não pode ser tratada apenas como estatística ou operação pontual. Ela precisa ser política de Estado, com prevenção, inteligência, investimento social e respeito à vida. Sem isso, continuaremos contando prisões enquanto acumulamos traumas.
A Bahia não pode se acostumar com o medo. O povo não pode aceitar viver trancado enquanto a violência circula livre.
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Foto: Internet







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