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“Adeus à Guardiã da Fé: Bahia se Despede da Ancestral que Abençoou Gerações”

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Por: Nilson Carvalho — Papo de Artista Bahia

 

A Bahia amanheceu mais silenciosa, mais reflexiva e profundamente tocada. Aos 108 anos, partiu deste mundo Mãe Carmosina, uma das maiores referências espirituais do nosso estado — uma mulher cuja existência atravessou séculos, curou dores, acendeu caminhos e sustentou tradições com um amor que só quem carrega a ancestralidade no peito é capaz de oferecer.

 

Mãe Carmosina, ou Carmosina Mota de Souza Santos, não foi apenas uma líder religiosa; foi um porto seguro emocional, cultural e social para milhares de pessoas que encontraram no seu terreiro acolhimento, orientação e fé. Sua morte, ocorrida na madrugada deste sábado (29), por causas naturais, deixa um vazio imenso — não só em Ilhéus, mas em toda a Bahia que reconhece a importância das suas raízes e dos seus mais velhos.

 

O velório acontece na Rua Severino Vieira, no Malhado, onde ela viveu grande parte de sua caminhada espiritual. O sepultamento será neste domingo (30), às 9h, no Cemitério Batista, no Pontal. O corpo, a presença física, parte… mas o legado, esse permanece gigantesco.

 

 Uma vida inteira dedicada ao povo

 

Nascida em Itaquara, Mãe Carmosina chegou a Ilhéus nos anos 1950. Ali, ela ergueu o Terreiro de Umbanda Sultão das Matas, que se tornou um centro de fé, cultura e resistência. Foram mais de sete décadas de conselhos, rituais, proteção, espiritualidade e transmissão de sabedoria ancestral.

 

Ela não só guiou filhos de santo — ela formou cidadãos, fortaleceu famílias e protegeu comunidades inteiras contra o esquecimento cultural e religioso. Tanto que recebeu reconhecimentos importantes, como o título de Cidadã Ilheense e certificados da Federação Nacional de Umbanda.

 

 Por que essa perda importa para o povo?

 

Porque líderes como ela representam a espinha dorsal da cultura brasileira. Sua existência preservou tradições, combateu intolerâncias, engrandeceu a representatividade religiosa e alimentou o orgulho da nossa ancestralidade.

 

A morte de Mãe Carmosina é daquelas que nos fazem olhar para dentro e perceber o quanto ainda precisamos lutar para que nossos mestres e nossas matrizes religiosas sejam respeitados, protegidos e valorizados em vida.

 

Ela deixa quatro filhos, uma multidão de admiradores, e uma história que continuará sendo contada por muitas gerações.

 

“Quando parte uma ancestral, não perdemos apenas uma vida — perdemos uma biblioteca inteira de sabedoria. Compartilhe esta matéria e mantenha viva a memória de quem plantou luz onde muitos só viam escuridão.”

 

Foto: Internet


 
 
 

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