🌊 Quando o Mar Deixa de Ser de Todos: O Silêncio que Afoga Camaçari 🌅
- Nilson Carvalho

- há 8 horas
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
Existe um tipo de silêncio que machuca.
Não é o silêncio da paz… é o silêncio da omissão.
Enquanto muitos ainda acreditam que o mar é infinito e democrático, algo tem mudado silenciosamente nas praias de Camaçari. O que sempre foi espaço de encontro, liberdade e pertencimento começa a ganhar cercas invisíveis — e, às vezes, bem visíveis.
📍 Itacimirim: o paraíso cada vez mais distante
A bela Itacimirim, conhecida por suas águas tranquilas e beleza natural preservada, hoje é cercada por condomínios de alto padrão e empreendimentos exclusivos.
O acesso continua sendo um direito garantido por lei — praias são bens públicos no Brasil.
Mas na prática, quando o transporte coletivo já não chega, quando os acessos ficam escondidos entre muros e portarias, quem realmente consegue usufruir?
A exclusão nem sempre vem com placas.
Às vezes ela vem com a ausência de ônibus.
📍 Guarajuba: luxo de um lado, dificuldade do outro
Em Guarajuba, o cenário se repete.
Resorts, loteamentos planejados, segurança privada, infraestrutura de alto padrão.
E o transporte público?
E o trabalhador que depende dele?
E o morador que sempre frequentou aquele pedaço de mar?
Quando o coletivo não acessa mais a praia, o recado é claro:
o espaço continua sendo público no papel… mas seletivo na prática.
🌱 A especulação que seca os mananciais
O avanço imobiliário não impacta apenas o acesso às praias.
Ele pressiona lagoas, restingas, nascentes e mananciais naturais em todo o município.
Cada área aterrada.
Cada nascente soterrada.
Cada metro de restinga substituído por concreto.
A orla, que deveria ser protegida como patrimônio ambiental e social, torna-se alvo de uma lógica onde a paisagem vira mercadoria — e a natureza paga a conta.
E quando os mananciais secam, não é só a água que falta.
Falta equilíbrio.
Falta futuro.
⚖️ O que está em jogo?
Direito constitucional de acesso às praias
Mobilidade urbana e justiça social
Preservação ambiental
Planejamento urbano sustentável
Transparência nas decisões públicas
Não se trata de ser contra o desenvolvimento.
Trata-se de perguntar: desenvolvimento para quem?
Quando a cidade cresce sem diálogo, quem perde é a coletividade.
Quando o transporte some, o acesso diminui.
Quando a especulação avança, a natureza recua.
E quando todos se calam… o processo acelera.
🤝 A gentileza também é cidadania
“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”
Ser gentil também é defender o direito do outro.
É levantar a voz quando o espaço público começa a se tornar privilégio.
É cuidar do que é comum, mesmo que não seja seu quintal.
Porque praia não é condomínio.
Manancial não é lote.
Orla não é mercadoria.
É herança coletiva.
🌊 Se o mar é de todos, o acesso também precisa ser.
O silêncio também mata — mata direitos, mata rios, mata futuros.
Desperte. Questione. Compartilhe. Porque quando a sociedade acorda, nenhuma cerca é alta demais.
Comente, compartilhe e levante essa discussão.
O silêncio também mata.
Fotos Papo de Artista Bahia





















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