12 HORAS ENTRE A DENÚNCIA E A MORTE: FEMINICÍDIO EM IPIRÁ ESCANCARA FALHAS NA PROTEÇÃO À MULHER
- Nilson Carvalho

- há 4 horas
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Por: Nilson Carvalho
A dor tem nome. Tinha sonhos. Tinha apenas 25 anos.
Liliane Bastos Azevedo foi assassinada brutalmente na cidade de Ipirá, apenas 12 horas após registrar denúncia por violência doméstica e solicitar medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.
Doze horas.
O tempo que deveria representar proteção virou contagem regressiva para a tragédia.
Segundo informações, Liliane havia sido agredida e ameaçada pelo companheiro após se recusar a manter relações sexuais. Na madrugada, buscou ajuda. Fez o boletim de ocorrência na Delegacia Virtual. Pediu socorro ao Estado. Pediu proteção.
Horas depois, o suspeito retornou à residência e a esfaqueou. A cunhada, que tentou defendê-la, também foi ferida. Quando a Polícia Militar da Bahia chegou ao local, Liliane já estava sem vida.
QUANDO A LEI NÃO CHEGA A TEMPO
A Lei Maria da Penha é um dos maiores avanços na proteção das mulheres no Brasil. Ela prevê medidas protetivas urgentes, afastamento do agressor e outras garantias.
Mas a pergunta que dói é simples e direta:
De que adianta a medida protetiva se ela não se transforma em proteção real e imediata?
Para quem não entende os trâmites legais, explicamos de forma clara:
A vítima denúncia. O pedido é analisado. O juiz pode conceder a medida. O agressor deve ser notificado e afastado.
Mas entre o papel e a prática, existe um tempo.
E às vezes, esse tempo mata.
O IMPACTO PARA O POVO
Esse caso não é isolado. Ele representa milhares de mulheres que vivem sob ameaça constante dentro da própria casa.
Os benefícios da denúncia existem:
✔️ Registro formal do crime
✔️ Possibilidade de prisão preventiva
✔️ Proteção judicial
Mas quando a estrutura não é ágil o suficiente, a sensação de insegurança cresce. E cresce o medo de denunciar.
E quando mulheres deixam de denunciar por medo de morrer, toda a sociedade adoece.
Não é apenas um caso policial. É um alerta social. É uma urgência de políticas públicas mais rápidas, monitoramento eletrônico eficaz, resposta imediata e acolhimento real.
A Papo de Artista Bahia e a TVBahi3 manifestam profunda indignação e repudiam qualquer tipo de violência contra a mulher. Não podemos normalizar o feminicídio. Não podemos aceitar que o lar seja cenário de terror.
Cada mulher assassinada é um grito que ecoa nas estatísticas — e também na consciência de um país inteiro.
A vida de Liliane não pode virar apenas mais um número.
Que a dor se transforme em cobrança.
Que a revolta se transforme em mudança.
Que o silêncio nunca seja opção.
💬 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Foto: Internet







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