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CARNAVAL SOB AMEAÇA: MEDO POR TRÁS DAS MÁSCARAS ABALA TRADIÇÃO HISTÓRICA EM MARAGOJIPE

Por: Nilson Carvalho

 

O que sempre foi símbolo de alegria hoje carrega desconfiança. Em Maragojipe, no coração do Recôncavo Baiano, o Carnaval das máscaras — patrimônio cultural, tradição centenária e orgulho do povo — enfrenta um inimigo invisível: o medo.

 

Conhecida por suas fantasias criativas, pierrôs, colombinas e mascarados que invadem as ruas com irreverência, a cidade agora vive sob tensão. Moradores temem que criminosos utilizem as fantasias como disfarce para atacar rivais em meio à multidão.

 

“Hoje ninguém sabe quem está por baixo da máscara”, relata um morador, traduzindo o sentimento coletivo de insegurança.

 

GUERRA QUE AMEAÇA A CULTURA

 

A raiz desse medo está na disputa violenta entre as facções Bonde do Maluco e Comando Vermelho. A guerra pelo controle do território transformou a rotina da cidade.

 

Em julho do ano passado, pelo menos 20 homens armados invadiram de barco a localidade de São Roque do Paraguaçu e metralharam lojas e veículos. No mesmo período, um crime bárbaro chocou o distrito de Najé, com um homicídio marcado por extrema violência.

 

Não são apenas números. São vidas. São famílias que hoje pensam duas vezes antes de sair de casa.

 

O QUE ESTÁ SENDO FEITO?

 

A Polícia Militar da Bahia informou reforço no policiamento: 76 agentes enviados de outras cidades exclusivamente para o período carnavalesco, além de mais de 200 homens e mulheres atuando em Maragojipe.

 

O reforço traz um possível benefício imediato: presença ostensiva pode inibir ações criminosas e devolver parte da tranquilidade à população.

 

Mas a pergunta que ecoa é maior:

 

Segurança pontual resolve um problema estrutural?

 

QUEM PAGA O PREÇO?

 

Quando a violência se infiltra na cultura, quem sofre é o povo.

 

O comércio perde.

 

O turismo enfraquece.

 

A tradição se esvazia.

 

O medo substitui a alegria.

 

Maragojipe, com suas belezas naturais às margens da Baía de Todos-os-Santos, não pode ter sua identidade sequestrada pelo crime.

 

É preciso mais do que policiamento: são necessárias políticas públicas permanentes, investimento social, oportunidades para a juventude e enfrentamento inteligente ao crime organizado.

 

Porque quando uma tradição cultural começa a ser vista com desconfiança, não é só a festa que está ameaçada — é a alma da cidade.

 

O Carnaval de máscaras sempre foi símbolo de liberdade e criatividade. Não pode se transformar em escudo para violência.

 

A cultura salva. O crime destrói.

 

💬 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

Foto: Internet


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