NÃO FOI POR AMOR: FOI POR CONTROLE — A VERDADE QUE PRECISA SER DITA SOBRE A MORTE QUE CHOCOU O PAÍS
- Nilson Carvalho

- há 1 dia
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Por: Nilson Carvalho
Quando uma tragédia envolve pai e filhos, muita gente corre para dizer: “foi por amor”, “foi desespero”, “foi emoção”. Mas a verdade, quando dita com coragem, dói — e precisa doer.
A delegada Raquel Gallinati, da Polícia Civil de São Paulo, foi direta ao comentar o caso do secretário municipal de Itumbiara, Thales Machado, que atirou contra os dois filhos, de 12 e 8 anos, matou o mais velho e depois tirou a própria vida.
“Ele não matou por amor. Matou por controle.”
A frase não é apenas forte — é um alerta social.
QUANDO O ALVO NÃO É A CRIANÇA, MAS A MÃE
Segundo a delegada, não estamos diante de uma tragédia passional. Estamos diante de algo ainda mais cruel: violência vicária.
Violência vicária é quando o agressor atinge alguém próximo da vítima — geralmente os filhos — para provocar dor permanente. O alvo real não são as crianças. O alvo é a mãe. É a tentativa extrema de punir, dominar, controlar.
Em palavras simples: não é explosão momentânea. Não é “perda de cabeça”. É a lógica da posse levada ao extremo.
Traição, separação, ciúmes ou sofrimento emocional jamais justificam exterminar crianças. Filhos não são extensão de brigas de casal. Não são instrumentos de vingança. Não são propriedade.
OS SINAIS QUE MUITOS IGNORAM
Crimes como esse raramente acontecem do nada. Antes da tragédia, costumam existir sinais: controle excessivo, ameaças veladas, ciúmes doentios, comportamentos possessivos.
Mas a sociedade ainda romantiza o controle.
Confunde ciúme com cuidado.
Confunde posse com amor.
Confunde obsessão com intensidade.
E enquanto confundimos, vidas são destruídas.
O velório do menino de 12 anos reuniu autoridades, entre elas o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mas nenhuma autoridade consegue devolver o que foi tirado: a infância interrompida, a vida silenciada, o trauma que ficará para sempre.
A PERGUNTA QUE PRECISAMOS FAZER
Quantas mulheres vivem sob ameaça silenciosa?
Quantas crianças estão no meio de conflitos onde são vistas como ferramentas?
Quantos sinais ainda vamos ignorar?
Não podemos aceitar que a narrativa continue sendo “crime por amor”. Amor não mata. Amor não controla. Amor não pune.
Isso tem nome: violência.
E enquanto tratarmos controle como sentimento, continuaremos enterrando vítimas.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Foto: Internet







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