MACHADO, SANGUE E SILÊNCIO: ATÉ QUANDO A BAHIA VAI ENTERRAR SUAS FILHAS?
- Nilson Carvalho
- há 21 horas
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Por: Nilson Carvalho
A pergunta que ecoa nas ruas, nas casas e nas redes sociais é uma só: aonde iremos parar com tanta violência?
A cidade de Irará, no interior da Bahia, amanheceu de luto após a morte brutal da adolescente Beatriz Alves Moraes da Silva, de apenas 15 anos. A jovem foi encontrada em um terreno baldio com marcas de golpes de machado. O principal suspeito é o próprio pai, Danilo Moraes da Silva, que teria saído com a filha momentos antes do crime e foi visto retornando sozinho para casa. Pouco depois, ele foi encontrado morto.
Uma família destruída.
Uma cidade em choque.
Uma juventude interrompida.
Segundo informações da Polícia Civil da Bahia, o caso está sob investigação para esclarecer a motivação e a dinâmica dos fatos. A Prefeitura de Irará manifestou pesar, destacando que Beatriz era querida pela comunidade.
Mas nenhuma nota oficial devolve uma vida.
Nenhuma investigação traz de volta os sonhos de uma menina de 15 anos.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM NOSSAS FAMÍLIAS?
Quando a violência nasce dentro de casa, o medo se torna ainda maior. Porque a casa deveria ser abrigo — não cenário de tragédia.
Casos assim levantam questões urgentes:
Onde estavam os sinais?
Havia histórico de violência?
Quem percebeu e se calou?
O que pode ser feito para prevenir?
Especialistas alertam que crimes extremos raramente surgem do nada. Muitas vezes são precedidos por conflitos, comportamentos agressivos, isolamento, ameaças ou sinais de sofrimento emocional não tratado.
Isso significa que prevenção salva vidas.
Significa que diálogo importa.
Significa que políticas públicas de saúde mental, proteção à infância e fortalecimento da rede de assistência social não são “gastos”, são investimentos na vida do povo.
QUANDO A OMISSÃO TAMBÉM MACHUCA
Precisamos falar sobre isso com coragem. Não é apenas um caso policial. É um retrato social.
Quando ignoramos sinais de violência…
Quando tratamos agressividade como “problema de família”…
Quando dizemos “não é da minha conta”…
A omissão também se torna parte da tragédia.
A violência não começa com o machado.
Ela começa no silêncio.
Começa na indiferença.
Começa quando normalizamos o que deveria nos indignar.
AONDE IREMOS PARAR?
Se não fortalecermos redes de apoio, educação emocional, acompanhamento psicológico e políticas de proteção às crianças e adolescentes, continuaremos chorando manchetes.
Precisamos transformar dor em mobilização.
Precisamos transformar luto em consciência.
Precisamos transformar medo em ação coletiva.
Porque nenhuma menina deveria sair de casa e não voltar.
Nenhuma cidade deveria se acostumar com isso.
Nenhum de nós pode fingir que não viu.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata. Quando você se omite, você vira cúmplice. Não se esqueça disso.
Foto: Internet



