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ENTRE A TINTA E A LAMA: O GRITO ESQUECIDO DA ALAMEDA DO RIO E ÁGUA FRIA


Por: Nilson Carvalho – tvbahia3 & Grupo Papo de Artista Bahia

 

Enquanto a cidade recebe novas cores, fachadas reluzentes e pinturas que reafirmam posições políticas, dezenas de famílias na Alameda do Rio e Água Fria, no Km 7 da Cascalheira, continuam vivendo entre a poeira no verão e a lama no inverno.

 

Essa não é apenas uma rua esburacada na Alameda do Rio — é o retrato do abandono, onde a lama toma o lugar do asfalto e a dignidade do povo fica atolada junto com cada promessa não cumprida.



O povo está pedindo socorro. E não é de hoje.

 

São mais de 30 anos de promessas. Trinta anos esperando por segurança, iluminação digna, asfalto, esgoto, transporte público. Trinta anos ouvindo que “não há orçamento”, que “houve corte de 70%”, que “o projeto está previsto”, que “talvez em 2027”.

 

Enquanto isso, a cidade é pintada. Ônibus são pintados. Escolas são pintadas por fora. Postos são pintados por fora. A estética avança. A infraestrutura não.

 

Na reunião do dia 16/12, promessas foram feitas:

✔ Iluminação

✔ Extensão de rede

✔ Podagem

✔ Containers

✔ Coleta de lixo

 

Mas quando o assunto é estrada? A resposta é distante: projetos previstos apenas para 2027. Talvez depois do carnaval.

 

Até quando?

 

Moradores relatam abandono histórico. Idosos sem transporte. Famílias indo embora por falta do mínimo. Gente que vive entre a orla e a sede, mas parece invisível aos olhos do poder público.

 

Não se trata de partido. Trata-se de prioridade.


Não se trata de cor. Trata-se de dignidade.

 

Se há recurso para requalificar fachadas, por que não há para garantir acesso digno à zona rural? Se há planejamento para estética, por que não há urgência para o básico?

 

A população não quer favores. Quer respeito. Quer cronograma real. Quer compromisso cumprido.

 

Todo ano a mesma resposta: “não tem dinheiro”.

Mas o custo do abandono é alto demais. Ele corrói a esperança. Ele adoece comunidades. Ele empurra famílias para fora de suas próprias raízes.

 

E quando o povo se cala, o abandono se fortalece.

 

É hora de transformar indignação em cobrança organizada. Focar no que foi prometido: iluminação, poda, coleta, containers. Fiscalizar. Registrar. Cobrar. Não esquecer.

 

Porque cidade bonita não é a que tem mais tinta.

É a que tem mais justiça social.

 

“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”

 

Que essa gentileza se transforme em ação concreta.

Que a tinta não esconda a lama.

Que a política não silencie o povo.

 

Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.


Foto: o retrato do abandono que revolta moradores.




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