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Das ruas para a Literatura: ex-dependente químico e morador de rua conta como se tornou escritor



Dependência química e vida na rua


A trajetória de Leo teve um início doloroso e muito  conturbado. “ Léo nos conta que Foi uma criança rejeitada desde o ventre da sua  mãe. Foi criado pela  avó e só conheceu seu pai recentemente, aos 38 anos”, A mãe chegou a tomar remédios abortivos no dia do parto; não contou ao pai do bebê que estava grávida. a A jovem de 19 anos não queria ser mãe e desejava viver sua juventude. Quando Leo tinha nove meses, foi entregue a avó, Esther. Mesmo tendo uma infância cercada de amor pela avó na Cidade Alta, comunidade da Zona Norte do Rio do Janeiro, Léo sentia a saudade e a falta de uma mãe e um pai.


Aos 14 anos quando a avó morreu e ele foi morar com sua mãe. Nessa idade, ele teve o primeiro contato com as drogas na escola pública onde estudava, durante o recreio. “Aos 21 anos, mergulhou no uso das drogas e se encontrou com a dependência química, pois perdeu um filho de 5 meses de vida, assassinado pela mãe após ser espancado. Na comunidade onde cresceu, não tinha ombro amigo para chorar ou psicólogos. Então resolveu recorrer ao uso de drogas, porque tinha um ponto de venda à porta”, conta.

 

No aconchego dos braços da avó Esther, Léo teve muito amor e sua avó não o deixava faltar nada.

A dor de viver na rua e a crueldade de um ser humano.


Sem apoio, ele recorreu mais ainda as drogas, foi quando ele teve uma overdose enfrente a sua mãe, em 2016. Leo nos conta que nesse período, ele conheceu o pior lado do ser humano. Léo ainda passou pouco menos de um ano a mais na rua. Ele nos conta duas situações que o marcaram profundamente. Uma delas foi quando sentiu fome e entrou em uma padaria em Copacabana e pediu uma senhora para pagar um lanche a ele, e ela cuspiu em seu rosto. Outra situação foi em um restaurante, sem acesso a chuveiro e água gelada, um calor da cidade do Rio, Léo Pará e pede um copo de água, o segurança o colocou pra fora e deu água com sal para ele beber. Léo nos conta que a pessoa dar aquilo que tem, e naquele momento aquelas pessoas deram aquilo que tinha em seu coração.

 

O caminho de Leo para a literatura

 

A virada em sua vida começou, em 2017, quando ele aceitou ajuda após meses e meses em situação de rua. Foi internado numa instituição de acolhimento e, depois, conseguiu um trabalho como lavador de pratos num restaurante no Centro do Rio. “Um dia, estava indo para o  trabalho e o ônibus ficou parado em um engarrafamento em frente à cracolândia, na Maré, aonde ele ficava muito. Uma pessoa do ônibus falou: ‘olha como está cheio aquele lugar, ali morrem 10 e chegam a 20’. Aquilo incomodou, porque ele  habitou a cracolândia. As pessoas precisavam saber que a gente consegue sair”, testemunha.


Sou um homem que carrega uma história que começou triste, mas que não impediu de um dia se encontrar com um final feliz. Um homem que superou todas as dores e transformou tudo isso numa luta pela dignidade, igualdade, respeito e inclusão de uma causa que vivi


Léo nos conta que com um celular doado, ele criou uma página no Facebook chamada “A vida depois das Marquises”, nomeado em homenagem à última marquise onde dormiu. Seus relatos, com fotos reais de quando era dependente químico e sua história de superação, viralizaram e alcançaram mais 30 mil seguidores em uma semana. Uma seguidora o incentivou a escrever um livro, e até organizou uma vaquinha online para pagar pela publicação. “Passei seis meses escrevendo o livro nesse celular usado, danificado, sem tampa traseira. Muitas vezes pensei desistir, porque o durex suava, a bateria saía, e eu tinha que escrever tudo de novo, mas consegui”, conta.


Seu primeiro livro – com o mesmo título da página, ‘A Vida depois das Marquises’ – ganhou destaque e chegou às mãos de artistas famosos como seu ídolo Chico Buarque; foi divulgado amplamente em jornais e até programas de televisão. Com a repercussão, recebeu um convite para a Bienal de 2019, onde se tornou o primeiro ex-morador de rua a lançar um livro no evento. Em 2021, publicou o segundo livro (‘A Vida depois das Marquises – Sonhos’),  em que conta o encontro com seu pai aos 38 anos e o impacto da pandemia da covid-19 na população em situação de rua.


Leo Motta afirma que ressignificou sua história por um propósito. “Sou um homem que carrega uma história que começou triste, mas que não impediu de um dia se encontrar com um final feliz. Um homem que superou todas as dores e transformou tudo isso numa luta pela dignidade, igualdade, respeito e inclusão de uma causa que vivi”, relata. Também expressa o impacto da arte em sua vida: “a capa dos meus livros são as minhas mãos, para mostrar que a mesma mão que esmolava constrói uma arte”.


Hoje, como escritor e palestrante, Léo Motta diz que sua missão diária é não esquecer de onde veio, para nunca se considerar diferente daqueles que ainda estão nas ruas. “Eu voltei para a rua desde o primeiro dia que saí dela, mas voltei para ajudar. Quando lancei um livro na Bienal, muita gente entrou em contato comigo, querendo me ajudar. Mas eu não precisava de ajuda. Eu já tinha um endereço, eu já tinha uma fonte de renda, mas eu precisava ajudar quem ficou”, reforça


Léo Mota já palestrou em vários lugares do Brasil, um evento marcante, foi sua palestra na Bienal 2025, mas o escritor já passou pelas redondezas da Bahia, pois Léo palestrou em um evento em Salvador.


Nós da equipe de jornalismo Papo de Artista e Tvbahia3, agradecemos a colaboração e a gentileza do escritor Leoa Mota nos ter concedido essa entrevista


Entrevista do escritor Leo Mota para o Jornal Papo de Artista & TvBahia3


Jornalista: Angélica Paes Rio de Janeiro

Diretor e editor: Nilson Carvalho


Fotos: Assessoria de Impressa

 


 

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