⚡ Tecnologia, energia e sustentabilidade: o futuro das empresas já chegou — mas quem está preparado para ele?
- Nilson Carvalho

- há 10 horas
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Especialistas do Agenda Bahia 2026 alertam que empresas precisam transformar inovação, energia e sustentabilidade em estratégia; para a população, a grande pergunta é: esse avanço vai gerar oportunidades ou aumentar ainda mais as desigualdades?
Por Nilson Carvalho
Papo de Artista Bahia
A tecnologia está mudando o mundo em uma velocidade impressionante. Enquanto novas ferramentas surgem todos os dias, muitas empresas ainda tentam descobrir como acompanhar essa transformação.
Mas existe uma pergunta que não pode ficar fora dessa discussão:
Quando as empresas avançam, o povo também avança?
Essa foi uma das questões que ganharam força durante o Agenda Bahia 2026, no painel “Empresas Inteligentes: o novo modelo competitivo”, que reuniu especialistas para discutir tecnologia, energia, sustentabilidade e os desafios do mercado.
O debate mostrou que o futuro dos negócios não depende apenas de máquinas modernas ou sistemas sofisticados. Depende de pessoas preparadas, decisões responsáveis e capacidade de transformar inovação em benefícios concretos para a sociedade.
💻 A tecnologia está chegando mais rápido do que as empresas conseguem acompanhar
Durante o encontro, Carolina Dostal, especialista em Autoridade Digital e Reputação, chamou atenção para um fenômeno que já pode ser percebido dentro de muitas organizações: a tecnologia avança, mas a cultura empresarial nem sempre acompanha.
Segundo ela, soluções que pareciam pertencer a um futuro distante já fazem parte das discussões atuais. Entre os exemplos citados esteve o carro voador, apresentado como símbolo de tecnologias que chegam antes de a sociedade definir completamente como serão utilizadas.
Carolina utilizou ainda o conceito de “click drift” para explicar esse descompasso entre a velocidade das inovações e a capacidade de adaptação das empresas e das pessoas.
“Muitos funcionários já utilizam tecnologia sem que isso seja legitimado pelos CEOs e pelos diretores”, observou.
A declaração acende um alerta importante.
Não basta comprar tecnologia. É necessário saber por que, como e para quem ela será utilizada.
Uma empresa que investe em inovação sem preparar seus funcionários pode criar insegurança. Já aquela que oferece capacitação pode transformar a tecnologia em oportunidade profissional.
O problema não é a tecnologia avançar. O problema é deixar as pessoas para trás.
⚡ Energia pode ser custo ou estratégia — depende de como é administrada
Outro ponto que chamou atenção foi a discussão sobre energia.
Para Lucas Harb, da Echoenergia, as empresas precisam mudar a maneira como enxergam esse recurso.
“A energia não é só mais um custo na folha de pagamento”, destacou.
Na prática, isso significa que uma gestão mais estratégica da energia pode ajudar empresas a ter maior previsibilidade de custos e mais segurança para planejar seus negócios.
E por que isso interessa ao cidadão comum?
Porque uma empresa mais eficiente pode reduzir desperdícios, melhorar sua produtividade e fortalecer sua capacidade de permanecer competitiva.
Mas existe uma condição fundamental:
eficiência econômica não pode ser confundida com benefício social automático.
Para que o desenvolvimento seja realmente positivo, é preciso que os ganhos também se transformem em empregos, qualificação, melhores serviços, inovação e oportunidades.
🌱 Sustentabilidade: compromisso verdadeiro ou apenas discurso bonito?
Talvez uma das discussões mais importantes do encontro esteja justamente aqui.
Segundo Lucas Harb, cerca de 2 mil empresas já exigem que seus fornecedores adotem práticas sustentáveis.
Isso mostra que sustentabilidade está deixando de ser apenas uma preocupação ambiental e passando a influenciar diretamente as relações comerciais.
Mas há uma diferença enorme entre colocar sustentabilidade no discurso e praticá-la todos os dias.
Uma empresa pode falar sobre meio ambiente em seu site.
Pode divulgar selos.
Pode fazer campanhas.
Mas a pergunta que realmente importa é:
O que acontece dentro da empresa?
Quanto ela desperdiça?
Como utiliza energia?
Como trata seus trabalhadores?
Como administra seus resíduos?
Qual é o impacto de suas atividades sobre as comunidades?
A sustentabilidade verdadeira começa quando o discurso encontra a prática.
👥 E o trabalhador? E a comunidade? E o cidadão?
É nesse ponto que o debate empresarial precisa sair dos escritórios e chegar às ruas.
Uma transformação tecnológica pode criar novas profissões, mas também pode eliminar determinadas funções.
A energia pode ser administrada com mais eficiência, mas o acesso a soluções sustentáveis precisa ser ampliado.
Empresas mais competitivas podem gerar riqueza, mas essa riqueza precisa circular e produzir oportunidades.
Por isso, discutir o futuro das empresas também significa discutir o futuro dos trabalhadores e das comunidades.
O avanço econômico só pode ser considerado verdadeiramente positivo quando consegue caminhar junto com dignidade, responsabilidade ambiental e inclusão.
🔎 O futuro exige mais do que inovação: exige responsabilidade
A mensagem deixada pelo Agenda Bahia 2026 é clara: tecnologia, energia e sustentabilidade não são mais assuntos separados.
Elas fazem parte de uma nova maneira de pensar os negócios.
Empresas que desejam permanecer competitivas terão de aprender a inovar, controlar melhor seus recursos, reduzir desperdícios e demonstrar coerência entre aquilo que prometem e aquilo que realmente fazem.
O painel foi mediado por Donaldson Gomes, jornalista e editor de economia do CORREIO, e contou com Carolina Dostal, Fábio Meneghatti, CEO da aceleradora de negócios Greenz, e Lucas Harb, gerente comercial da Echoenergia.
Realizado pelo Jornal CORREIO, o Agenda Bahia 2026 tem patrocínio de Acelen, Echoenergia e Unipar, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, além de apoio de Braskem, FIEB, Plano Brasil Saúde, Salvador Bahia Airport, Sebrae e Sotero, e parceria da Claro.
🌎 A pergunta que não pode ser ignorada
O debate sobre competitividade empresarial costuma falar muito sobre números, produtividade e resultados.
Mas existe outro indicador que precisa entrar nessa conta:
quantas vidas são beneficiadas por esse desenvolvimento?
Porque uma empresa pode ser tecnologicamente avançada e, ainda assim, produzir pouco impacto positivo na comunidade onde está inserida.
Pode ser sustentável no discurso e insustentável na prática.
Pode aumentar seus lucros sem aumentar as oportunidades para quem mais precisa.
O verdadeiro desafio do futuro não é apenas construir empresas inteligentes. É construir uma economia inteligente o suficiente para não esquecer as pessoas.
“Quem se cala diante do risco, assume a responsabilidade pelo dano.”
💬 E você, o que pensa?
Tecnologia, energia e sustentabilidade estão realmente melhorando a vida da população ou ainda estamos falando mais de negócios do que de pessoas?
Comente. Compartilhe. Levante essa discussão. Porque o futuro não deve ser construído apenas para quem pode pagar por ele — deve ser construído para todos.
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Por: Nilson Carvalho
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