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🎭 Teatro Vila Velha reabre em Salvador após maior restauração de sua história

há 1 dia
4 min de leitura

 🎭 Teatro Vila Velha reabre em Salvador após maior restauração de sua história

Patrimônio histórico da cultura baiana volta renovado, acessível e equipado com tecnologia, preservando a memória de um dos espaços mais importantes das artes no Brasil

 

Depois de uma ampla restauração, o Teatro Vila Velha reabre suas portas nesta sexta-feira (25), em Salvador. O espaço, que há mais de seis décadas participa da história cultural da Bahia, retorna com novas estruturas de acessibilidade, tecnologia, climatização, segurança e ambientes destinados à formação e produção artística.

 

A restauração contou com investimento global de R$ 30 milhões, segundo as informações apresentadas no projeto, em parceria com a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da Fundação Gregório de Mattos.

 

Mais do que uma reforma física, a proposta foi modernizar o teatro sem apagar suas marcas históricas.

 

Um teatro antigo com estrutura para o futuro

 

O diretor Márcio Meirelles resume a filosofia da intervenção usando uma imagem simples: o prédio passou a funcionar como um palimpsesto, em que novas estruturas foram incorporadas sem apagar aquilo que já existia.

 

“O coração do teatro sempre foi o mesmo.”

 

Entre as mudanças está a adaptação da rampa principal, que tinha inclinação superior a 13% e passou a atender aos padrões atuais de acessibilidade, com inclinação máxima de 8%.

 

A preocupação também ultrapassou os limites do edifício. A arquiteta Tânia Scofield destacou que o acesso ao teatro precisa estar conectado à acessibilidade do próprio Passeio Público.

 

Na prática, a mudança significa que mais pessoas poderão frequentar o espaço com segurança e autonomia — incluindo pessoas com deficiência e artistas com diferentes necessidades de mobilidade.

 

Tecnologia sem apagar a memória

 

O palco original, instalado desde a inauguração em 1964, permanece no mesmo local, mas ganhou estruturas adaptáveis para diferentes configurações entre palco e plateia.

 

A sala principal comporta até 400 pessoas e recebeu climatização, isolamento acústico e novos sistemas de segurança contra incêndio.

 

O complexo também ganhou salas multiuso para ensaios, oficinas e apresentações experimentais, além da reativação do Cabaré dos Novos e da retomada do Cine Vila, voltado à difusão do audiovisual baiano.

 

Outro patrimônio importante está no Centro de Pesquisa e Memória Nós, Por Exemplo, que reúne cerca de 1 milhão de documentos relacionados ao teatro brasileiro e passa por processo de digitalização.

 

De tijolo em tijolo, nasceu um símbolo da Bahia

 

A história do Vila Velha começou ainda nos anos 1960, quando integrantes da Sociedade Teatro dos Novos decidiram construir o próprio espaço teatral.

 

A obra contou com participação de artistas, estudantes e colaboradores. Materiais foram doados, artistas chegaram a realizar ações para arrecadar recursos e muita gente colocou literalmente a mão na massa.

 

A atriz e escritora Sônia Robatto, uma das pessoas ligadas à origem do teatro, acompanha agora o renascimento do espaço.

 

“Eu agora realmente estou muito feliz de vê-lo renascer com todo um público novo para sonhar o sonho do eterno teatro.”

 

O palco que ajudou a revelar gigantes da música brasileira

 

Foi no Vila Velha que, em 1964, nomes que posteriormente marcariam profundamente a música brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, participaram do histórico espetáculo Nós, Por Exemplo....

 

Tom Zé também esteve ligado àquele período e resume a importância afetiva do espaço:

 

“O Vila foi reformado, e estará sempre reformando, reformulando o que se fizer em teatro, em música.”

 

O teatro também está relacionado à trajetória inicial dos Novos Baianos, que realizaram ali seu primeiro show oficial em 1969.

 

Por isso, a reabertura não representa apenas a entrega de um prédio restaurado. Para artistas e produtores, significa a recuperação de um espaço de formação, criação, memória e encontro.

 

Crianças e novos artistas no centro do futuro

 

A nova fase também pretende ampliar o trabalho de formação cultural. O programa Pé de Feijão Arte e Educação coloca as crianças entre as prioridades da programação.

 

Cristina Castro defende temporadas mais longas para que os espetáculos tenham tempo de amadurecer.

 

“O artista precisa de tempo também, até para errar, para fazer de novo.”

 

A ideia aponta para uma questão importante: cultura não se constrói apenas com grandes apresentações. Ela também depende de formação, continuidade, acesso e oportunidade para quem está começando.

 

🚨 O que essa reabertura representa para a população?

 

A entrega do Vila Velha coloca novamente em funcionamento um equipamento cultural histórico de Salvador, agora com recursos de acessibilidade, tecnologia e segurança.

 

O desafio, daqui para frente, será transformar toda essa estrutura em programação permanente, acesso democrático e oportunidades para artistas, estudantes, crianças e público em geral.

 

Como destacou o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, o teatro influencia gerações e permanece na memória afetiva de artistas e produtores.

 

Nesta sexta-feira (25), a partir das 17h, o Vila Velha inicia essa nova etapa com um espetáculo dirigido por Márcio Meirelles, reunindo uma linha do tempo musical em homenagem aos mais de 60 anos de trajetória do espaço. Depois, haverá caruru no Cabaré dos Novos. A programação de reabertura é para convidados.

 

Um patrimônio só permanece vivo quando a cidade consegue continuar ocupando, cuidando e dando novos significados à sua história.

 

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Papo de Artista Bahia & TVBahia3 — A Voz da Cultura e Fiscal do Povo.

 

Por: Nilson Carvalho.

 

Foto: Internet



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