Somente virtudes novas, derrubam velhos preconceitos!
- Nilson Carvalho
- há 1 hora
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O etarismo se refere a “estereótipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discriminação (como agimos) direcionadas às pessoas com base na idade que têm”. Este termo voltou forte recentemente quando foram compartilhadas uma publicação de três estudantes do curso de Biomedicina de uma universidade particular de Bauru, no interior de São Paulo, debochando de uma colega de 40 anos gerou indignação nas redes sociais. O “post” que denuncia as jovens no Twitter teve quase um milhão de visualizações.
No vídeo, uma das estudantes ironiza: “Gente, quiz do dia: como ‘desmatricula’ um colega de sala?”. Logo na sequência, outra jovem responde: “Mano, ela tem 40 anos já. Era para estar aposentada”. “Realmente”, concorda a terceira fazendo uma cara de deboche. Entretanto as imagens foram postadas no Instagram como “close friends” – quando apenas pessoas escolhidas podem acessar o conteúdo. No entanto, o vídeo acabou se tornando público. Com a grande repercussão do caso, a Unisagrado divulgou nota de apoio a estudante ofendida: “Para começarmos esta conversa, deixamos claro que não compactuamos com qualquer tipo de discriminação. Completando… defendemos uma causa: A EDUCAÇÃO. Na verdade, somos a causa. Acreditamos que todos devem ter acesso à educação de qualidade, desde pequenos até quando cada um quiser, porque educação é isso: autonomia. Isso tudo faz sentido para nós”.
Na Gestalt terapia é denominada de “ajustamento de busca”, quando algo presente no campo, leva-nos a perquirir por uma resposta que ainda não se tem registro. É um sentimento de desaglutinação, ou seja, é como se por alguns minutos não se pudesse compreender o que está se passando. Certamente, já deve ter ouvido: “Está velho demais para namorar essa garota! Ou: para que estudar, se não irá aprender mais nada! Ou por fim: Para que entrar numa academia se vai desistir na primeira semana?” Ressalto que enquanto vivermos numa sociedade que teme o envelhecimento seguiremos vítimas do preconceito etário. Cito o exemplo de Johanna Quass que entrou para a história como a ginasta mais velha do mundo, e claro está no “Guinness.’ Sua primeira competição foi em 1934 aos nove anos de idade e saiu de cena oficialmente em 2018, 74 anos depois. Poderia citar outros incontáveis exemplos: na foto ele tem 82 anos, faz academia, semeia, planta e colhe, e ainda essa semana me presenteou com uma de suas colheitas. Homem que conhece como ninguém as estradas de terra do pantanal, percorridas a cavalo e que me contou muitas destas vivências, ou ainda, como minha própria mãe que aos 50 anos de idade iniciou sua primeira graduação superior e foram mais duas em sequencia, finalizando por receber o troféu Jorge Siufi da advocacia. Ou, eu mesmo, que nesta mesma data, há um ano caminhava pelos últimos dias no curso de gerontologia e finalizei minutos antes de iniciar a escrever este artigo, o curso pela ABHL “Ciclos de Estudos – memória e Herança” aonde ocupo a cadeira número 9.
É cada vez mais comum vermos campanhas de publicidade e propaganda que valorizam a beleza natural da mulher, inclusive da mulher madura. Essa tendência aponta para uma mudança no paradigma da beleza. A beleza está na individualidade e na diversidade, e é isso que essas campanhas estão mostrando. A velhice traz com ela a maturidade de quem passou situações adversas e soube como contorná-las, ou pelo menos o que não fazer para criar dificuldades a si mesmo. Vivemos numa geração com muitas pessoas emocionalmente desestruturadas e assim muitas coisas precisam ser abafadas por serem ofensivas, inclusive a verdade. Muitas das histórias e tradições vem sendo transmitidas pela oralidade valorize e incentive. Ter tonturas ao levantar não é sinal de velhice. A vertigem posicional paroxística benigna ocorre quando pequenos cristais do ouvido interno se deslocam. Ela provoca sensação intensa de giro ao deitar, levantar da cama, girar a cabeça no travesseiro ou abaixar para pegar objetos, geralmente acompanhada de enjoo e curta duração.
Em casos mais raros, a insuficiência vertebrobasilar pode estar envolvida, especialmente em pessoas com hipertensão, diabetes, tabagismo ou histórico cardiovascular. Nesse cenário, alterações no fluxo sanguíneo afetam o cérebro ou o ouvido interno durante movimentos da cabeça. Tudo é questão de se ajustar com a vida e equilibrar trabalho, lazer,caminhadas e alimentação. Ter sonhos e pensar no amanhã. Destarte, envelhecer pode ser o privilégio do nosso futuro, se encontrarmos a beleza do amor. Então, ao encontrar, saibamos envelhecer com parcimônia e qualidade de vida!
*Articulista
texto e foto: Rosildo Barcellos



