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A faixa de restinga tem conseguido barrar os tsunamis, impedindo que eles cheguem ao calçadão.

Importa dizer que como Orfeu Negro, e com a escassez de apoio público e com a destruição sistemática dos meios de produção artística — em especial do cinema brasileiro, como ocorreu com a Embrafilme nos anos 1990 e com o Ministério da Cultura em 2019 —, promovidas por governos de extrema direita (Collor nos anos 90 e Bolsonaro em 2019), o qual deixou a Terra em Transe.


Realizar uma produção artística no Brasil sempre foi um desafio. Sabemos que fazer arte “grosseira”, no sentido artesanal do termo, exige tempo, trabalho árduo e paciência. É um processo tão duro quanto fazer rapadura: plantio e colheita demorados, esforço contínuo. Mas é justamente por ser feita com dedicação, satisfação, cuidado, zelo e carinho que essa arte alcança prateleiras internacionais e pode ser saboreada como o mel da Natureza e das Coisas Invisíveis.


Assim como a arte é difícil de produzir em meio a tantas adversidades, ela também serve como barreira contra as grandes ondas de ataques e mentiras lançadas por alguns — isso desde os primórdios da vida em sociedade. No Brasil, as artes nunca tiveram o devido “valor”, assim como outras áreas que, mesmo sustentadas por poucos trocados, conseguem alcançar os maiores pódios do mundo.


Voltando às artes, parte de um grupo político que ataca a classe artística — por divergência ideológica — afirma que artistas oriundos de territórios periféricos, como a Cidade de Deus, onde quase nenhum serviço público chega, não produzem cultura legítima. No entanto, nossas artes são preservadas e produzidas como a rapadura: com escassez de recursos, muitas vezes apenas com o malabarismo criativo de quem faz ou com o apoio simbólico de trocados embrulhados em papel de pão. Ainda assim, a realização é tão pura e genuína que, usando apenas o básico, somos capazes de preparar grandes banquetes culturais.


Porém, alguns desinformados — ou movidos por perversidade ou má-fé — insistem em afirmar que, quando trabalhos artísticos alcançam grandes palcos, destaque ou prêmios, isso só ocorre por terem sido realizados com dinheiro público. Defendem, inclusive, que tais financiamentos não deveriam existir. Essas afirmações carecem de base, fundamento e conhecimento. Revelam ignorância, incapacidade crítica e, muitas vezes, agressividade gratuita.


Por outro lado, bastaria uma simples pesquisa — dessas tão comuns hoje na internet — para constatar que os artistas majoritariamente beneficiados pelas verdadeiras “burras de dinheiro público” são, na realidade, aqueles que pensam e defendem os mesmos projetos políticos desses críticos. Parece que eles perderam a Estação Central do Brasil. Nós, porém, Ainda estamos aqui. Apesar de tudo, seguimos igual a uma Tropa de Elite, sempre como um Bacurau pagando o preço de atuar, Ó pai ó, águias os Agentes Secretos da cultura.


Viva a Cultura Brasileira.

Viva o Cinema Nacional.


Por: Antonio Bispo Barreto - Bispo da Cultura

Ator, Diretor e Produtor Cultural.

Ano: MMXXV


 
 
 
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