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"Sombra para quem? A tecnologia nas praias e o abismo entre inovação e equidade social"

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Enquanto nas redes sociais um novo equipamento chamado ShadeSock viraliza por prometer "sombra inflável de luxo" nas praias do mundo, uma pergunta incômoda precisa ecoar além da espuma do mar: quem realmente pode pagar por conforto sob o sol?

 

O produto — um toldo inflável, prático, silencioso e com proteção solar FPS 50 — representa mais um avanço tecnológico no setor de lazer. Por US$ 189,99 (cerca de R$ 1.055), o acessório garante sombra automática para até quatro pessoas e vem embalado em design leve e funcional. Parece perfeito, não fosse por um detalhe: é inacessível para a maioria da população brasileira.

 

Sol para uns, sombra para poucos

Nas mesmas praias onde o ShadeSock começa a desembarcar com promessas de conforto e inovação, milhares de famílias sobrevivem vendendo água de coco, empadas e biquínis estendidos ao sol escaldante, muitas vezes sem qualquer proteção adequada, sequer um chapéu.

 

Enquanto turistas chegam com tecnologias importadas para se proteger do sol, trabalhadores ambulantes expõem-se ao calor por 10, 12 horas diárias, sofrendo as consequências de doenças de pele, insolação e exaustão térmica. São corpos invisíveis — não pela sombra, mas pelo abandono.

 

A desigualdade se alastra entre as barracas. O que para uns é lazer, para outros é sobrevivência.

 

O luxo que ignora os direitos básicos

A tecnologia do ShadeSock é, sim, uma inovação. Mas ela escancara a forma como o mercado se movimenta para atender o conforto de poucos, enquanto o direito à dignidade de muitos continua sendo ignorado. Não existe problema em inovar, o problema é inovar ignorando contextos sociais urgentes.

 

Será que a mesma criatividade que gera toldos flutuantes não poderia ser canalizada para criar projetos públicos de proteção solar em comunidades vulneráveis? Ou programas de saúde preventiva voltados a quem trabalha exposto ao sol, sem opção?

 

Será que uma sombra moderna vale mais do que o direito ao descanso, à saúde e ao trabalho digno para todos?

 

Não basta inventar conforto. É preciso distribuir dignidade.

 

Compartilhe esta reflexão. Porque o sol nasce para todos, mas a sombra — essa ainda é privilégio de poucos.

 

Foto: Internet

Matéria:  Jornalista Nilson Carvalho, Embaixador dos Direitos humanos

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