Shopping de R$ 120 milhões em Luís Eduardo Magalhães: progresso para o povo ou vitrine para os grandes? progresso para o povo ou vitrine para os grandes?
- Nilson Carvalho
- há 12 horas
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Por: Jornalista Nilson Carvalho, Embaixador dos Direitos humanos e da cultura Defensor do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro
Um investimento de R$ 120 milhões está prestes a mudar o cenário econômico e social do oeste baiano. Em setembro de 2026, será inaugurado em Luís Eduardo Magalhães o Shopping Parque Oeste, primeiro centro comercial do município, com 140 lojas, mais de 800 vagas de estacionamento e a promessa de gerar 1,2 mil empregos diretos e indiretos.
De imediato, o anúncio parece grandioso: empregos, lazer, gastronomia, cinema, moda e um fluxo de R$ 200 milhões por ano movimentando a economia local. Grandes nomes do varejo nacional já confirmaram presença: Renner, Riachuelo, Burger King, Smart Fit e Cineplex. Mas, por trás desse brilho, fica a pergunta que todo ativista social precisa levantar: esse progresso vai realmente chegar ao bolso e à vida da população ou ficará restrito aos cofres dos grandes grupos econômicos?
Os impactos prometidos
É fato que o shopping pode consolidar Luís Eduardo Magalhães como polo regional de comércio e serviços, atraindo consumidores também de cidades vizinhas. Isso significa mais circulação de dinheiro, mais visibilidade para a cidade e mais oportunidades para quem busca trabalho no setor de vendas e serviços.
Para uma cidade que já ocupa a 5ª posição no PIB da Bahia, o empreendimento chega para fortalecer ainda mais essa posição, trazendo uma infraestrutura moderna que atende ao padrão das grandes capitais.
O outro lado da moeda
Mas não podemos deixar de refletir: quem vai ocupar os melhores espaços dentro desse shopping? Pequenos comerciantes e empreendedores locais terão espaço justo para competir com as gigantes do varejo? Ou serão apenas espectadores de um modelo de consumo que privilegia grandes marcas e concentra riqueza?
Outro ponto é a geração de empregos: embora os números chamem atenção, muitos desses postos de trabalho são temporários, sazonais ou de baixa remuneração. É essencial garantir que não sejamos apenas mão de obra barata a serviço de multinacionais.
Cultura e identidade local: invisíveis?
Uma questão ainda pouco discutida é: onde estará a cultura local dentro desse megaempreendimento? O povo do oeste baiano tem música, artesanato, culinária e expressões próprias que merecem ser valorizadas. O shopping será também um espaço para promover o que é da terra, ou será apenas vitrine para modelos importados e padronizados?
Porque progresso de verdade não é só cimento e vitrines, é também respeito à identidade, inclusão social e oportunidade para todos.
O Shopping Parque Oeste pode ser um divisor de águas para Luís Eduardo Magalhães, mas o impacto real vai depender de como será administrado e de quem realmente vai se beneficiar.
Se o povo for incluído de forma justa, haverá avanço. Se não, será apenas mais um templo do consumo que brilha por fora e deixa vazios por dentro.
Reflexão final para compartilhar:
Progresso que não alcança o povo não é progresso, é ilusão de vitrine.
Foto: Internet
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