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🎭 Quando a Memória Vira Patrimônio: O Carnaval do Tororó que Moldou um Homem e Humanizou a Justiça


Por: Nilson Carvalho

 

Há histórias que não cabem nos livros de Direito, nem nas salas solenes dos tribunais. Elas moram na rua, no batuque da charanga, no calor do povo e na lágrima que cai sem pedir licença. A história do ex-desembargador Ivanilton Santos da Silva é assim: nasce no bairro do Tororó, cresce no meio da folia e amadurece com humanidade, sensibilidade e memória viva.

 

Ivanilton não fala apenas de cargos ou títulos. Ele fala de pertencimento. Foi criado onde o Carnaval não era espetáculo para turista ver, mas expressão legítima do povo, identidade, resistência e alegria compartilhada. Pulou Carnaval ao lado dos Filhos do Tororó, dos Apaches do Tororó, embalado pela charanga do Quebra Flandres. Viveu de perto os palanques montados no Largo do Tororó e no Amparo, onde a música encontrava o povo e o povo se reconhecia na música.

 

Ali, ele viu desfilar blocos que marcaram gerações e escreveram a história cultural da Bahia: o Bebê Vai Levando, os Filhos de Gandhy, os Filhos do Fogo, Mercadores, Cavaleiros de Bagdá. Personagens lendários como Nelson Malheiro, que desfilava com elegância, e as vozes potentes dos serviços de alto-falantes — um deles animado por seu irmão Norito, folião de primeira, hoje médico — anunciando promessas inesquecíveis como a passagem do Trio Elétrico Jacaré e os carros alegóricos do Clube Inocentes em Progresso, eternizados na figura do inesquecível tio Izidro.

 

Essas não são apenas lembranças nostálgicas. São raízes. São elas que explicam por que um homem que chegou ao topo do Judiciário nunca perdeu a capacidade de sentir, lembrar e se emocionar. As marchinhas ecoam como trilha sonora da vida:

“Ei você aí, me dá um dinheiro”,

“Índio quer apito”,

“Bandeira Branca”,

“Mulata Bossa Nova”.

 

E quando a memória aperta, o texto para. As lágrimas molham o celular. Porque lembrar também dói. E dói bonito. Dói porque prova que houve amor, vivência, comunidade.

 

Num país onde tantas vezes a elite se desconecta do povo, a trajetória de Ivanilton nos lembra que ninguém nasce distante da sua origem — alguns apenas escolhem esquecê-la. Ele escolheu lembrar. E lembrar é um ato político, cultural e humano.

 


Essa história gera benefícios claros para o povo: mostra que a cultura popular forma caráter, que o Carnaval não é alienação, mas educação emocional, social e coletiva. Ao mesmo tempo, nos alerta: quando a memória cultural é apagada, quando os bairros populares são silenciados, perdemos mais do que festas — perdemos identidade.

 

🕊️ Como disse o próprio autor dessa sensibilidade viva:


“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”

 

👉 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.


Que nunca nos falte memória, coragem e gentileza para reconhecer de onde viemos — porque é isso que define para onde vamos.


Foto: Internet

Vídeos. Assessoria de Impressa


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