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Entre a Vida e a Dor: Jovem Trans Sobrevive a Tragédia na BA-099 e Expõe Feridas Abertas do Nosso Trânsito


Entre a Vida e a Dor: Jovem Trans Sobrevive a Tragédia na BA-099 e Expõe Feridas Abertas do Nosso Trânsito

 

Na manhã de domingo (8), a BA-099, no trecho próximo à Tapera, em Praia do Forte, foi mais uma vez palco de uma tragédia que não pode ser tratada como simples estatística. Um grave acidente ceifou a vida de quatro pessoas e deixou como única sobrevivente Moana, jovem trans, moradora de Barra do Pojuca. Um nome que agora carrega não só a dor da perda, mas também a esperança em meio ao caos.

 

Segundo informações compartilhadas pela própria mãe, Moana apresentou melhora no estado de saúde e já saiu da mesa de cirurgia, demonstrando evolução clínica positiva. A notícia trouxe alívio a familiares, amigos e a uma comunidade inteira que acompanha, com o coração apertado, cada atualização.

 

O acidente aconteceu por volta das 8h, no quilômetro 50 da rodovia. O veículo onde Moana estava seguia no sentido Praia do Forte quando saiu da pista, capotou e colidiu violentamente contra uma árvore. Três das vítimas morreram presas às ferragens. As imagens do local revelam um carro completamente destruído — um retrato cru da violência no trânsito.

 

No momento da colisão, a pista estava molhada devido às chuvas, fator que levanta um alerta urgente: quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que a segurança viária seja tratada como prioridade? Não se trata apenas de fatalidade. Trata-se de infraestrutura, fiscalização, educação no trânsito e respeito à vida.

 

Moana foi resgatada em estado grave, com apoio de um helicóptero, e encaminhada para Salvador, onde segue internada recebendo atendimento especializado. O Departamento de Polícia Técnica realizou a perícia, enquanto a Concessionária Litoral Norte precisou interditar temporariamente a pista, causando lentidão em toda a região de Itacimirim.

 

Mas há um ponto que não pode ser ignorado: Moana é uma jovem trans. Em um país que lidera rankings de violência contra pessoas trans, sua sobrevivência também carrega um simbolismo poderoso. Viver, para corpos trans, muitas vezes já é um ato de resistência. Sobreviver a uma tragédia dessas é, ao mesmo tempo, milagre e denúncia.

 

Denúncia de um trânsito que mata.

Denúncia de políticas públicas insuficientes.

Denúncia de um sistema que reage apenas depois da tragédia.

 

Cada acidente como esse deixa famílias destruídas, comunidades enlutadas e perguntas sem resposta. O povo precisa entender que segurança viária não é luxo, é direito. Investir em estradas seguras, sinalização adequada, fiscalização eficiente e campanhas educativas salva vidas — simples assim.

 

Enquanto Moana luta pela recuperação, quatro vidas foram interrompidas. E o silêncio diante disso também é uma forma de violência.

 

Que essa dor vire reflexão. Que essa reflexão vire cobrança. Que essa cobrança vire mudança.

 

💬 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

Por: Nilson Carvalho

Papo de Artista Bahia

 

Foto: Internet

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