Dr. Eudo Barbosa Freitas - O impacto causado pelo salitre nas obras civis: Tratamentos e Soluções
- Nilson Carvalho

- há 2 horas
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O salitre, uma manifestação patológica comum em edificações, representa um desafio significativo na engenharia civil. Caracterizado pela presença de sais solúveis que cristalizam na superfície de alvenarias e revestimentos, o salitre não apenas compromete a estética das construções, mas também pode levar à degradação estrutural. Este artigo explora a natureza do salitre, seus impactos nas obras civis e as estratégias eficazes para sua prevenção e tratamento.
O que é o Salitre e Seus Impactos?
O salitre, ou eflorescência, é um fenômeno que ocorre quando a água, presente em paredes úmidas, reage quimicamente com sais minerais. Essa água, que pode ser proveniente do ambiente externo, do solo por capilaridade, ou até mesmo da umidade de construção, transporta os sais para a superfície da estrutura. Ao evaporar, a água deixa para trás os sais, que cristalizam e formam as características manchas brancas ou acinzentadas. Em regiões costeiras, a maresia, rica em partículas de sal, intensifica esse processo, acelerando a corrosão de estruturas metálicas, como o aço, que tende a retornar à sua forma oxidada (ferrugem) em contato com o oxigênio e a umidade salina.
Os impactos do salitre vão além do aspecto visual. A cristalização dos sais exerce
pressão sobre os materiais de construção, causando o desplacamento de tintas, rebocos e argamassas. Em casos mais graves, a umidade constante e a presença de sais podem comprometer a integridade estrutural da edificação, especialmente em elementos como vigas e pilares, onde a corrosão do aço pode levar à perda de capacidade de carga e, consequentemente, a riscos de desabamento. A falta de impermeabilização adequada e o uso de materiais contaminados, como areias com sal do mar, são fatores que contribuem significativamente para o surgimento e agravamento do problema.
Prevenção do Salitre: Medidas Essenciais na Construção
A prevenção do salitre é a abordagem mais eficaz e econômica. Durante a fase de construção, é crucial adotar medidas que impeçam o contato da água com os materiais
e a migração de sais. A impermeabilização é a chave para evitar a umidade ascendente e a infiltração de água do solo. Algumas práticas recomendadas incluem:
• Impermeabilização de Baldrames: Utilizar impermeabilizantes asfálticos nas vigas baldrame, que são as primeiras vigas da fundação, para criar uma barreira contra a umidade do solo.
• Aditivos Impermeabilizantes: Incorporar aditivos impermeabilizantes na
argamassa das primeiras fiadas de tijolo, reforçando a proteção contra a umidade.
• Pintura Asfáltica: Realizar a pintura das três primeiras fiadas da alvenaria com material asfáltico, criando uma camada protetora adicional.
Essas medidas simples, quando aplicadas corretamente, aumentam a vida útil da construção e evitam problemas futuros relacionados ao salitre, garantindo a durabilidade e a segurança da edificação.
Tratamento do Salitre: Soluções Corretivas
Quando o salitre já se manifestou, o tratamento exige um processo mais cuidadoso e, por vezes, custoso. A remoção do material afetado e o tratamento da superfície são etapas fundamentais para eliminar o problema e evitar seu reaparecimento. O procedimento corretivo mais comumente recomendado, e frequentemente detalhado em laudos técnicos, consiste em 10 passos:
1. Remoção do Revestimento Afetado: Remover o revestimento (tinta, reboco) da parede afetada até a altura de 1 metro ou mais, dependendo da extensão do problema.
2. Remoção da Base do Tijolo: Remover a base do tijolo acima da viga baldrame, em
no máximo 1 metro de alvenaria por vez.
3. Pintura da Viga Baldrame: Pintar a superfície da viga baldrame com pintura asfáltica.
4. Substituição da Alvenaria: Substituir o volume de alvenaria removido por argamassa impermeabilizada com aditivo (vedacit, rebotek ou similares).
5. Repetição dos Passos: Repetir os passos 2 e 3 até que toda a base da parede afetada seja refeita.
6. Aplicação de Demãos de Pintura Asfáltica: Aplicar três demãos de pintura asfáltica na região tratada.
7. Preparação da Superfície para Reboco: Após a secagem, aplicar uma fina camada de cola AC3 na região e passar uma vassoura de cerdas grossas para tornar a superfície mais áspera, garantindo a aderência do reboco.
8. Chapisco e Reboco: Chapiscar e rebocar a parede com argamassa
impermeabilizada com aditivo.
9. Emassamento: Emassar a parede com massa acrílica.
10. Pintura com Tinta Antimofo: Pintar a parede com tinta antimofo, que oferece proteção adicional contra a umidade e o crescimento de fungos.
Seguir esses passos corretamente é essencial para garantir a eficácia do tratamento, prolongar a vida útil do sistema de vedação e restaurar o conforto visual da parede. É importante ressaltar que um planejamento adequado e a execução por profissionais qualificados são cruciais para o sucesso tanto na prevenção quanto no tratamento do salitre.
Conclusão
O salitre é um problema complexo que exige atenção desde as etapas iniciais de uma obra. A compreensão de suas causas e impactos, aliada à aplicação de medidas preventivas rigorosas, é fundamental para evitar danos futuros e custos elevados com reparos. Quando o salitre já se manifestou, um tratamento corretivo abrangente e bem executado é indispensável para restaurar a integridade e a estética da construção.
Investir em planejamento, materiais de qualidade e mão de obra especializada é a melhor forma de protegeras obras civis contra os efeitos nocivosdo salitre, garantindo edificações duráveis, seguras e livres de patologias







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