Domingo de Portas Fechadas: Direito ao Descanso ou Prejuízo para o Povo? A Decisão que Divide Opiniões no Comércio
- Nilson Carvalho
- há 41 minutos
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Por trás das portas que se fecham, existe um debate que precisa ser aberto. A partir de março de 2026, supermercados e atacados do Espírito Santo deixarão de funcionar aos domingos até 31 de outubro, conforme acordo firmado entre a Fecomércio-ES e o Sindicato dos Comerciários. A medida, inspirada em modelos adotados em países europeus, reacende uma pergunta urgente: quem ganha e quem perde com essa decisão?
À primeira vista, o acordo representa um avanço para os trabalhadores. Após anos de jornadas extensas e finais de semana sacrificados, a categoria conquistou o direito ao descanso dominical por um período determinado. Além disso, vieram ganhos concretos: reajuste salarial de 7%, elevação do piso para R$ 1.650 e a criação de um auxílio-alimentação mensal de R$ 150. Para quem vive do próprio salário, isso significa comida na mesa, mais dignidade e tempo de convivência com a família.
Mas nem tudo é consenso.
Do outro lado do balcão está o consumidor, especialmente o trabalhador informal, a mãe solo, o pai que passa a semana inteira fora de casa e só consegue fazer compras no domingo. Para essa parcela da população, o fechamento pode representar mais dificuldade, menos acesso e aumento de preços, já que a demanda tende a se concentrar em menos dias.
A decisão não vale para todo o comércio. Os shoppings centers continuarão funcionando normalmente aos domingos, o que levanta um questionamento incômodo: por que o descanso é garantido para uns e não para outros? Onde está a igualdade dentro do próprio setor varejista?
Durante a alta temporada de verão 2025/2026, houve exceção e os supermercados abriram normalmente, mostrando que, quando o lucro aperta, o descanso pode esperar. Esse detalhe expõe uma ferida antiga: o trabalhador quase sempre é o primeiro a ceder e o último a ser ouvido.
A Convenção Coletiva segue válida até 2027, mas a cláusula do trabalho aos domingos pode ser revista a qualquer momento. Ou seja, nada está totalmente decidido. O que está em jogo vai além do horário de funcionamento: trata-se de qual modelo de sociedade queremos construir — um que respeita o ser humano ou um que só funciona à base de consumo e exaustão.
Fechar supermercados aos domingos pode ser um passo importante na valorização do trabalhador, desde que o impacto sobre a população mais vulnerável seja debatido com transparência e responsabilidade. Sem diálogo, qualquer decisão corre o risco de aprofundar desigualdades.
Porque quando o povo não é ouvido, o silêncio vira regra.
E é preciso dizer sem medo: o silêncio também mata — mata direitos, escolhas e oportunidades.
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✍️ Por: Nilson Carvalho – Jornal Papo de Artista Bahia
Foto: internet



