🏡🌎 DA TERRA À CASA: O CASAL QUE ENFRENTOU 500 TONELADAS DE SOLO PARA CONSTRUIR UM LAR ESCONDIDO NA PAISAGEM DA PATAGÔNIA
- Nilson Carvalho

- há 1 hora
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Em uma região de clima extremo no Chile, Paul Coleman e Konomi Kikuchi transformaram a própria terra do terreno em paredes, isolamento e estrutura — uma história de persistência, criatividade e construção sustentável que chama atenção para uma pergunta: precisamos sempre construir contra a natureza?
QUANDO O TERRENO VIROU MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
Na remota Patagônia chilena, perto de La Junta, um casal decidiu fazer algo que parece impossível para muita gente: construir a própria casa utilizando, principalmente, aquilo que estava debaixo dos próprios pés.
Paul Coleman e Konomi Kikuchi enfrentaram uma encosta íngreme, frio, chuva e dificuldades logísticas para erguer uma residência integrada à paisagem.
Segundo o relato dos próprios construtores, cerca de 500 toneladas de terra foram movimentadas manualmente. Parte dos materiais ainda precisou vencer uma subida de aproximadamente 150 metros até o local da obra.
A técnica escolhida foi o earthbag, que utiliza sacos resistentes preenchidos e compactados com terra para formar paredes.
“Vamos cavar e usar o solo para encher os sacos no próprio local”, relatou Paul ao explicar uma das mudanças de estratégia durante a construção.
MENOS DESPERDÍCIO, MAIS CRIATIVIDADE
O projeto inicial previa uma residência maior, com dois quartos, jardim de inverno e estruturas em formato de domo. Mas a realidade do terreno e o esforço necessário fizeram o casal repensar os planos.
A solução foi simplificar.

A terra retirada das próprias fundações passou a ser utilizada nas paredes. Sacos menores também foram adotados depois que os primeiros, de aproximadamente 50 quilos, se mostraram difíceis de transportar e manipular.
A documentação do projeto registra ainda o uso de aproximadamente mil sacos de polipropileno reciclados na construção e em estruturas associadas.
Mais do que uma obra, o projeto virou um exercício de reaproveitamento: o que seria apenas terra retirada do chão passou a fazer parte da própria casa.
🌋 UMA SURPRESA ESCONDIDA DEBAIXO DA TERRA
Durante as escavações, surgiu outra descoberta: uma camada de pedra-pomes, rocha vulcânica extremamente leve e porosa.
O casal relacionou o material ao vulcão Melimoyu, nos Andes da Patagônia, e decidiu aproveitar parte da descoberta em soluções construtivas.
A residência também ganhou paredes duplas, isolamento, sistemas de drenagem e cobertura vegetal, numa tentativa de enfrentar um dos grandes inimigos da construção em uma região tão úmida: a água.
🌧️ QUANDO A NATUREZA OBRIGA A MUDAR OS PLANOS
A obra não foi uma história de sucesso construída sem obstáculos.
A umidade dificultou a secagem da terra. Chuva prolongada, frio, congelamento de paredes e dificuldades para conseguir materiais obrigaram o casal a modificar o projeto diversas vezes.
A solução encontrada foi criar uma segunda parede ao redor da estrutura original, deixando espaço entre elas e incorporando materiais de isolamento e proteção contra a água.
A vegetação retirada do próprio terreno também voltou para cima da construção.
O resultado? Uma casa que praticamente se camufla na paisagem.
🌱 UMA CASA QUE FAZ UMA PERGUNTA AO MUNDO

A experiência de Paul e Konomi vai além da curiosidade arquitetônica.
Ela coloca em discussão o desperdício de materiais, a utilização dos recursos disponíveis no próprio terreno e a possibilidade de desenvolver construções mais adaptadas ao ambiente.
Mas é importante destacar: uma técnica alternativa de construção não significa que qualquer pessoa possa simplesmente copiar o projeto. Construções precisam considerar solo, clima, estrutura, drenagem, impermeabilização, normas locais e acompanhamento técnico adequado.
O que funciona em uma encosta da Patagônia pode não funcionar em outro lugar.
❤️ MAIS DO QUE UMA CASA, UMA LIÇÃO
Ao longo dos anos, a residência continuou sendo modificada e ampliada. O terreno também ganhou árvores, jardins, estufas e sistemas de captação de água.
A casa deixou de ser apenas abrigo.
Tornou-se símbolo de uma escolha: usar criatividade para transformar limitações em possibilidades.
E talvez seja essa a parte mais humana dessa história.
Porque, antes de existir uma parede, existiu uma decisão.
Antes do telhado, existiu esforço.
E antes da casa ficar pronta, existiu a coragem de começar.
🚨 DESPERTAMENTO
“Talvez a maior riqueza não esteja naquilo que compramos, mas naquilo que aprendemos a transformar. Quando a humanidade deixa de lutar contra a natureza e começa a aprender com ela, até a terra que seria retirada do caminho pode se transformar em um lar.”
Você teria coragem de construir uma casa utilizando a própria terra do terreno? Comente, compartilhe e ajude a levar essa reflexão adiante.
Por Papo de Artista Bahia & TVBahia3 — A Voz da Cultura e Fiscal do Povo
Por: Nilson Carvalho
Fotos: Internet




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