ABANDONO NO COQUEIRO: QUANDO O DIREITO DE IR E VIR VIROU UM LUXO
- Dimas Carvalho

- 25 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Dimas Carvalho – Colunista do Jornal Papo de Artista Bahia e Ativista Social
Você já parou para imaginar o que é precisar sair de casa de madrugada, caminhar no escuro, no meio da lama, com medo de ser assaltado ou até violentado, só para chegar no ponto de ônibus mais próximo? Pois essa é a realidade cruel de quem vive no Coqueiro, comunidade que parece ter sido esquecida pelo poder público.
Lá, ônibus não entram. Simples assim. Quem precisa sair do bairro, tem que caminhar até a pista principal. Para quem consegue pagar, ainda existe o “ligeirinho”, que cobra R$ 15 por um trajeto curto – caro para quem já vive com o bolso apertado. Mas para quem não tem condições? Resta caminhar… e rezar para chegar.
Histórias de dor e revolta
Dona Bárbara, de 87 anos, mal consegue andar. Mas mesmo assim é obrigada a enfrentar a maratona diária para ir e vir. Ela desabafa com lágrimas nos olhos:
“Eu não aguento mais viver assim.”
Marta, mãe de duas meninas, sai todos os dias às 5h da manhã para trabalhar. “A gente anda no escuro, no meio da lama. É perigoso demais, a gente tem medo de ser assaltada ou coisa pior”, conta, com a voz embargada.
Mateus, mototaxista, não poupa palavras:
“É uma vergonha! Os políticos só aparecem na eleição, tomam café na casa da gente, prometem mundos e fundos… e depois somem!”
Bernadete faz um questionamento que ecoa em todo o bairro:
“Cadê o prefeito do amor? A chave virou mesmo? Estamos vivendo literalmente esquecidos!”
Mariana completa com ironia amarga: “Simpatia, cadê você?”
Promessas que viraram fumaça
Houve reunião, projeto, promessas. Vereadores foram eleitos com votos do bairro, tiraram fotos, gravaram vídeos… e nada mudou. O ônibus continua não entrando, o povo continua caminhando na lama, e o medo virou companhia diária.
Qual o impacto disso para o povo?
A falta de transporte público não é só um problema de locomoção, é um problema de dignidade. Idosos, crianças, trabalhadores – todos são penalizados. Sem ônibus, aumenta o custo de vida (com transporte alternativo caro), aumenta o risco de violência, aumenta a exclusão. É como se dissesse para o povo do Coqueiro: “Vocês não importam.”
Mas mudar essa realidade traria benefícios imensos: mais segurança, mais acesso a saúde e educação, mais oportunidades de trabalho e, acima de tudo, o sentimento de que eles também fazem parte da cidade.
E agora, vamos continuar calados?
Não dá mais para aceitar que uma comunidade inteira seja esquecida. Transporte público é um direito, não um favor. E se o poder público não faz, cabe a nós pressionar, denunciar, cobrar.
Compartilhe esta matéria! Se calarmos hoje, amanhã quem será esquecido pode ser você.
Foto: GPABA







Se ficarmos em cima do muro, tudo acontece em favor de quem não tem interesse em fazer nada. Os políticos acabam ganhando e na comodidade não agem em nosso favor. Pelo contrário, as vontades deles, mesmo sendo contrárias às nossas, são manifestadas e normalmente concretizadas.
Então o caminho certo é o da cobrança. Cobrar falando, cobrar escrevendo, cobrar se manifestando. Registrar tudo. Se não resolve, passa para outra instância. Por aqui, quando for descaso de vereadores, acionamos a imprensa local, que sempre nos deu todo apoio, o Jornal Diário do Grande ABC e quando ainda ficávamos no descaso, acionavamos também a Rádio ABC FM.
Enfim, o processo de comunicação clara e direta é essencial para dar início aos nossos objetivos,…