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"A estrela que brilhou e se apagou em silêncio: quem cuida dos nossos artistas esquecidos?"


Por Nilson Carvalho – Jornalista, Artista Plástico e Embaixador dos Direitos Humanos

 

Ela foi a voz de uma geração. Brilhou nos palcos, encantou plateias, cantou em diversos idiomas e levou seu talento do Brasil ao Japão. Sol, nome artístico de Sandra do Valle Reis, foi ícone dos anos 80, destaque em programas como Clube do Bolinha e Programa Silvio Santos. Mas neste sábado (12), aos 59 anos, foi encontrada morta, sozinha, em seu apartamento em Campo Limpo, São Paulo, e agora, amigos recorrem à solidariedade para custear seu sepultamento.

 

O Brasil aplaudiu Sol, vibrou com seus sucessos como Meu Gatinho, mas agora, sua despedida escancara uma ferida antiga e cruel: o abandono emocional, social e financeiro de artistas que, após o auge, caem no esquecimento.

 

Sol não foi apenas cantora — foi também filha, esposa, sonhadora, sobrevivente. Estudou Direito, viveu mais de uma década no Japão, cantava em seis idiomas, sobreviveu a um grave acidente de carro e enfrentava sequelas que afetavam sua memória. Era uma mulher que resistia. Uma artista que nunca desistiu. E mesmo assim, partiu discretamente, invisível para uma sociedade que só enxerga o brilho, mas ignora as sombras.

 

Sua história é mais do que pessoal — é coletiva. Quantos artistas hoje vivem na precariedade, doentes, solitários, marginalizados, esquecidos por uma indústria que os usa, mas não os cuida? Quantas “Sols” ainda morrerão em silêncio, sem aplauso, sem palco, sem justiça?

 

O apelo dos amigos por ajuda financeira para dar-lhe um velório digno é um grito sufocado por dignidade. Não se trata apenas de homenagear uma cantora, mas de denunciar um sistema que consome talentos e depois os descarta.

 

Como jornalista e embaixador dos direitos humanos, é preciso perguntar:

Onde está o apoio institucional à memória viva da nossa cultura popular?

Onde estão as políticas públicas de acolhimento, saúde e previdência para os artistas brasileiros?

Como podemos exigir mais humanidade de um país que não cuida nem dos que o fizeram sorrir, cantar, sonhar?

 

Sol se foi. Mas sua partida precisa nos sacudir. Que não seja apenas mais uma nota triste entre tantas. Que seja um alerta urgente sobre como tratamos os nossos — enquanto vivos.

 

“Quando um artista morre no esquecimento, morre também um pedaço da nossa história. Leia, compartilhe e reflita: a cultura que aplaudimos merece ser cuidada, não apenas lembrada.”

 

Foto: Internet

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