UTI do Horror: quando quem deveria salvar escolhe matar
- Nilson Carvalho

- há 57 minutos
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Por: Nilson Carvalho
O Brasil acordou chocado. Indignado. Ferido naquilo que há de mais sagrado: a confiança. Uma Unidade de Terapia Intensiva — lugar de luta pela vida, de esperança para famílias inteiras — virou cenário de um dos crimes mais cruéis já revelados no sistema de saúde do Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem foram presos acusados de assassinar pacientes indefesos dentro de um hospital. Sim, você leu certo: pacientes sob cuidados médicos.
Segundo as investigações da Polícia Civil, os suspeitos são Amanda Rodrigues de Sousa (28 anos), Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (24 anos) e Marcela Camilly Alves da Silva (22 anos), todos ex-funcionários do Hospital Anchieta. O principal acusado, Marcos Vinícius, confessou os crimes após ser confrontado com imagens do circuito interno do hospital. As câmeras, silenciosas, revelaram o que a ética humana não conseguiu conter.
Quando o jaleco perde a alma
De acordo com a polícia, três vidas foram ceifadas: Miranilde Pereira da Silva, João Clemente Pereira e Marcos Raymundo Fernandes Moreira. Pessoas que estavam fragilizadas, lutando para sobreviver, entregues aos cuidados de profissionais que juraram proteger — e não matar.
As apurações apontam algo ainda mais estarrecedor: o uso de medicamentos em doses elevadas como veneno e, em pelo menos um caso, a injeção direta de desinfetante na veia da vítima. Um ato de crueldade extrema. Um crime que ultrapassa qualquer limite moral.
As duas técnicas, segundo a investigação, teriam dado “cobertura” ao colega em parte dos homicídios. Negaram inicialmente, mas acabaram admitindo participação após verem as imagens. Uma delas afirmou arrependimento por não ter impedido o crime. Mas a pergunta que ecoa é dura: arrependimento devolve vidas?
O perigo que continua rondando
Marcos Vinícius atuava há cinco anos na área da saúde. Mesmo após ser demitido do Hospital Anchieta, chegou a ser contratado por outra unidade particular em Taguatinga, trabalhando em uma UTI pediátrica. Isso escancara uma falha grave no sistema de controle, fiscalização e comunicação entre instituições de saúde.
Quantas vidas mais poderiam ter sido colocadas em risco? Quantos sinais foram ignorados? Quantos silêncios protegeram o erro — ou o crime?
O que isso significa para o povo?
Esse caso não é apenas sobre três pessoas. Ele fala de sistema, de fiscalização, de responsabilidade coletiva. Mostra como a falta de rigor, de escuta e de denúncia pode transformar hospitais em territórios de medo. Quando profissionais da saúde traem sua missão, toda a sociedade adoece.
Para o povo, o impacto é direto: medo de internar um familiar, desconfiança no atendimento, dor que se multiplica. E quando o povo perde a confiança, perde-se também um pilar da dignidade humana.
As investigações seguem para identificar possíveis outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades por onde o técnico passou. Cada nova apuração pode revelar mais verdades dolorosas — mas necessárias.
Não é só um caso policial. É um alerta social.
É preciso falar. Denunciar. Questionar. Fortalecer os mecanismos de controle e proteger os bons profissionais, que são maioria e também sofrem quando crimes assim mancham toda uma categoria.
👉 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Foto: Internet







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