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SALVADOR EM ALERTA: ENTRE A CHUVA QUE CAI DO CÉU E A REALIDADE QUE DESABA NO CHÃO

Por que a previsão do tempo também é uma questão social

 

Salvador amanhece nublada, o céu pesado anuncia chuva e, para muitos, isso é apenas um detalhe do clima. Mas para uma grande parte do povo soteropolitano, cada nuvem escura carrega medo, insegurança e incerteza. A previsão do tempo, divulgada pela Defesa Civil (Codesal) e reforçada pelo alerta do Inmet, vai muito além do guarda-chuva: ela expõe feridas sociais antigas que insistem em sangrar toda vez que a chuva aperta.

 

Segundo os órgãos oficiais, a capital baiana segue com tempo instável ao longo da semana, com chuvas isoladas, ventos moderados e temperaturas elevadas, chegando a 34°C no fim de semana. A probabilidade de chuva varia entre 30% e 50%, mas o que mais preocupa é o alerta de perigo emitido pelo Inmet para 96 municípios da Bahia, com risco de alagamentos, quedas de árvores, falta de energia e descargas elétricas.

 

Para quem mora em áreas bem estruturadas, a chuva é incômodo. Para quem vive nas encostas, em áreas alagáveis ou em comunidades esquecidas pelo poder público, a chuva vira ameaça real à vida.

 

É nesse ponto que o clima deixa de ser apenas um fenômeno natural e passa a ser um termômetro social. A água que cai do céu revela o abandono no chão. Falta de drenagem, esgoto a céu aberto, moradias precárias e ausência de políticas públicas transformam uma chuva comum em tragédia anunciada.

 

A informação, quando bem divulgada, salva vidas. Alertas meteorológicos permitem que famílias se preparem, que órgãos atuem de forma preventiva e que o povo tenha, ao menos, o direito de se proteger. Mas informação sem ação é só promessa vazia. Não basta avisar que vai chover; é preciso cuidar de quem sempre sofre quando ela chega.

 

Enquanto Salvador alterna sol e pancadas de chuva, o povo alterna entre a esperança e o medo. Esperança de que nada aconteça. Medo de perder tudo mais uma vez.

 

Falar de previsão do tempo é falar de desigualdade, de justiça social e de responsabilidade coletiva. Porque quando a chuva cai, ela não escolhe classe social — mas os impactos, infelizmente, ainda escolhem.

 

Que este alerta não seja apenas sobre o clima, mas sobre consciência. Chuva passa. O descaso fica.

 

👉 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

Por: Nilson Carvalho

Papo de Artista Bahia

 

Foto: Internet


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