🚨 R$ 384 MIL EM UM MÊS: JUSTIÇA PARA QUEM?
- Nilson Carvalho

- 25 de fev.
- 3 min de leitura

Enquanto o povo conta moedas, o topo do Judiciário acumula “penduricalhos” milionários
Papo de Artista Bahia – A Voz da Cultura e Fiscal do Povo
Por: Nilson Carvalho
“Não precisamos estar em evidência.”
A frase é do desembargador Ibanez Monteiro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A declaração fala sobre discrição, sobre foco no trabalho, sobre a importância do cargo acima da pessoa.
Mas os números falaram mais alto que qualquer discurso.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, o magistrado recebeu em janeiro R$ 384.954,59 brutos — cerca de R$ 354 mil líquidos. Um valor que equivale a aproximadamente oito vezes o teto constitucional do funcionalismo público, hoje fixado em R$ 46,3 mil, referência baseada no salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
A justificativa? Verbas eventuais: férias acumuladas, plantões e indenizações. Os chamados “penduricalhos”.
📌 Mas o que isso significa na prática?
Significa que, mesmo existindo um teto salarial previsto na Constituição, há mecanismos legais que permitem que, na soma final, o valor ultrapasse esse limite.
É ilegal?
Segundo o tribunal, não.
É imoral?
Essa resposta quem dá é a sociedade.
O próprio STF, inclusive com decisão do ministro Flávio Dino, suspendeu temporariamente parte desses pagamentos e discute regras de transição para limitar os chamados penduricalhos. A cúpula do Judiciário e do Congresso negocia novas normas.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples:
Se há teto, por que ele pode ser ultrapassado?
⚖️ O outro lado da balança
É preciso ser justo: magistrados têm carreira longa, responsabilidade enorme, decisões que impactam vidas. O desembargador Ibanez Monteiro é juiz desde 1985, com trajetória consolidada no Judiciário do Rio Grande do Norte.
O problema não é a pessoa.
É o sistema.
Quando a Constituição cria um teto, ela busca equilíbrio fiscal e moralidade administrativa. Quando exceções viram regra, nasce o sentimento de desigualdade.
E desigualdade corrói a confiança.
💔 O Brasil real
Enquanto isso, o trabalhador brasileiro acorda às 5 da manhã. Pega ônibus lotado. Trabalha 30, 35 anos. Sonha com a aposentadoria. E, quando consegue se aposentar — se conseguir — recebe um salário mínimo que mal paga remédio, luz e comida.
Será que um dia o Brasil será igual para todos?
Ou o pobre está condenado a trabalhar a vida inteira para sobreviver com o mínimo, enquanto o topo do sistema encontra brechas para ampliar o máximo?
Essa não é uma discussão contra o Judiciário.
É uma discussão sobre justiça social.
Porque justiça que não é percebida como justa deixa de ser justiça — vira privilégio institucionalizado.
🔥 Benefício para quem?
Defensores dizem que as verbas são legais, previstas, indenizatórias.
Críticos afirmam que, mesmo legais, ferem o espírito do teto constitucional.
O STF promete regras mais rígidas. Se isso acontecer, pode haver:
✔️ Maior transparência
✔️ Redução de gastos públicos
✔️ Recuperação da confiança da população
Se nada mudar, o sentimento de abismo social tende a aumentar.
E quando a sociedade perde a fé nas instituições, o dano não é financeiro — é democrático.
📢 A pergunta que não quer calar
O Brasil ainda tem jeito?
Ou estamos assistindo, passivamente, a um país onde o teto é flexível para alguns e intransponível para outros?
Não se trata de atacar pessoas.
Trata-se de discutir prioridades.
Porque quando o topo ganha oito vezes o limite previsto, enquanto a base luta pelo básico, a sensação que fica é de que o jogo nunca foi igual.
E talvez nunca tenha sido.
Será que o Brasil um dia será igual para todos?
Ou o pobre terá que trabalhar a vida toda para sobreviver com um salário mínimo?
Deixe sua opinião.
O Brasil ainda tem jeito?
Comente, compartilhe e levante essa discussão.
Você acha que isso está certo?
O silêncio também mata.
Foto: Internet




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