Quando o medo vence a farda: até quando a Bahia vai enterrar seus heróis?
- Nilson Carvalho

- 16 de jan.
- 3 min de leitura

A noite de Salvador foi novamente manchada pelo sangue da violência. Desta vez, a vítima não foi apenas mais um número nas estatísticas frias da criminalidade: foi um pai de família, um oficial da Polícia Militar, um homem que dedicou a vida a proteger a sociedade e acabou tombando da forma mais cruel possível.
O capitão Osniesio Pereira Salomão, lotado na 18ª CIPM/Periperi, foi morto a tiros ao reagir a uma tentativa de assalto na Avenida Lafayete Coutinho, o Contorno, uma das áreas mais movimentadas da capital baiana. Ele saía a pé de uma festa, por volta das 19h50, quando foi surpreendido por dois criminosos. As imagens de câmeras de segurança mostram o instante em que a violência explode: tiros, correria, desespero. Um dos assaltantes morreu no confronto. O outro fugiu, levando consigo mais uma ferida aberta na segurança pública da Bahia.
O capitão ainda foi socorrido e levado à UPA dos Barris, mas não resistiu. Deixou esposa, duas filhas, amigos, colegas de farda e uma corporação inteira em luto. Um homem que já havia atuado como subcomandante do Batalhão Gêmeos, com uma trajetória marcada pelo compromisso, respeito e dedicação à sociedade.
Quando os bons viram alvo
A pergunta que ecoa nas ruas, nas redes sociais e dentro das casas baianas é dura, mas necessária: até quando pais de família serão assassinados por criminosos que parecem não temer a lei? Até quando trabalhadores, policiais, cidadãos de bem serão exterminados enquanto a sensação de impunidade cresce?
A violência deixou de ser exceção e passou a ser rotina. O povo vive com medo. Medo de sair, medo de voltar, medo de existir. E quando até quem carrega uma farda, treinado para proteger, é morto em plena via pública, fica claro que algo está profundamente errado.
A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública lamentaram a perda e prometeram empenho total na captura do suspeito foragido. Mas o povo quer mais do que notas oficiais e palavras de pesar. Quer respostas, ações concretas, presença do Estado e políticas eficazes que devolvam o direito básico de ir e vir sem pânico.
Não é só luto, é alerta
A morte do capitão Osniesio não é apenas uma tragédia individual. É um alerta vermelho para toda a sociedade baiana. Cada vida perdida é uma família destruída, uma comunidade traumatizada, uma confiança quebrada.
Segurança pública não pode ser discurso vazio. Precisa ser prioridade real, diária e inegociável. Porque quando os bons estão sendo exterminados, toda a sociedade está adoecendo.
Comente, compartilhe e levante essa discussão.
📢 O silêncio também mata. Até quando vamos aceitar viver reféns do medo?
Por: Nilson Carvalho
NOTA DE PESAR
A Polícia Militar da Bahia manifesta profundo pesar pelo falecimento do Cap PM Osniésio Pereira Salomão, lotado na 18ª CIPM / Periperi.
Oficial da turma de 2010, o Capitão Osniésio construiu sua história na Corporação pautado pelo compromisso com a missão policial, pelo respeito à tropa e à sociedade baiana. Ao longo de sua vida profissional, deixou marcas de liderança e dedicação.
Neste momento de dor e saudade, a PMBA se solidariza com familiares, amigos e irmãos de farda, rendendo homenagens a um oficial que honrou a farda que vestiu e contribuiu de forma significativa para a segurança pública da Bahia.
Que Deus conforte os corações enlutados e conceda força para enfrentar esta imensurável perda.




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