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Quando o Jogo Mata em Silêncio: o Vídeo, o Luto e o Alerta que o Brasil Precisa Ouvir Agora


Por: Nilson Carvalho

 

O que começou como “diversão” virou tragédia. O que era proibido virou negócio. E o que parecia inofensivo passou a ceifar vidas em silêncio. O desabafo da auditora do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), Juliana Prates, após a morte do irmão Otacílio Prates Neto, escancara uma ferida aberta na sociedade brasileira: o avanço descontrolado das apostas on-line, as chamadas bets, e seus impactos devastadores na saúde mental do povo.

 

Juliana não falou apenas como servidora pública. Falou como irmã, como mulher ferida pela dor, como cidadã indignada. Seu relato é um grito que ecoa muito além das redes sociais. “O vício virou mercado”, afirmou. Uma frase curta, mas pesada como uma sentença. Ela resume o que muitos fingem não ver: o sofrimento humano foi transformado em lucro, e o Estado, ao permitir essa expansão sem o devido controle, tornou-se cúmplice de uma epidemia silenciosa.

 

Otacílio era auditor, trabalhador, tinha responsabilidades, família, rotina. Não era um “desocupado”, como muitos tentam estigmatizar quem sofre com o vício. Ele enfrentava um sofrimento psíquico profundo, passou por internação, tentou retomar a vida, mas foi tragado por um ciclo cruel: apostas fáceis, crédito rápido, endividamento, culpa e desespero. Um roteiro que se repete em milhares de lares brasileiros.

 

Dados citados por Juliana, com base no estudo “A Saúde dos Brasileiros em Jogo”, do IEPS, são alarmantes: R$ 30,6 bilhões por ano são gastos em danos à saúde relacionados às apostas, e 12,7 milhões de brasileiros estão em situação de risco. Isso não é falta de caráter, nem ausência de força de vontade. É problema de saúde pública.

 

O que está em jogo não é apenas dinheiro. São vidas. São famílias destruídas, crianças afetadas, trabalhadores adoecidos, sonhos interrompidos. As bets não vendem apenas apostas; vendem esperança falsa, ilusão de saída fácil, enquanto empurram pessoas para o fundo do poço. E quanto mais vulnerável o cidadão, maior o risco.

 

Como ativista social, não posso me calar diante disso. É urgente falar de limites, regulação séria, prevenção, acolhimento e responsabilidade. O Estado precisa agir. A sociedade precisa acordar. E nós, enquanto comunicação social, temos o dever de informar sem romantizar, denunciar sem explorar e acolher sem julgar.

 

A dor de Juliana virou alerta. A morte de Otacílio não pode ser apenas mais um número. Que essa tragédia gere consciência, políticas públicas e, principalmente, vida preservada.

 

Se você ou alguém próximo enfrenta sofrimento psíquico ou problemas com vício em apostas, procure ajuda. O CVV (188) funciona 24 horas. Os CAPS do SUS estão de portas abertas. Pedir ajuda não é fraqueza, é coragem.

 

Quando o lucro vale mais que a vida, é dever do povo levantar a voz. Compartilhe, reflita e ajude a salvar quem ainda pode ser salvo.

 

Foto: Internet


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