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📰 QUANDO O ESTADO ENTRA, A VIOLÊNCIA RESPONDE: O CONFRONTO QUE ESCANCARA A GUERRA SILENCIOSA NO EXTREMO SUL DA BAHIA

Por: Nilson Carvalho - Papo de Artista Bahia

 

O barulho dos tiros em Montinho, distrito de Itabela, não ecoou apenas entre as paredes de uma casa usada como esconderijo. Ele reverberou no medo de uma população cansada de enterrar jovens, no risco diário enfrentado por policiais e na dura realidade de um território marcado pela disputa do crime organizado.

 

Durante uma operação policial nesta terça-feira (20), um delegado foi baleado de raspão no braço e dois suspeitos morreram após confronto com as forças de segurança. A ação teve como alvo uma organização criminosa investigada por homicídios e tráfico de drogas em Eunápolis e região — crimes que vêm dilacerando famílias e espalhando insegurança por bairros inteiros.

 

A força-tarefa, formada pela Delegacia Territorial de Eunápolis, pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) e pela Rondesp Extremo Sul, chegou ao local após investigações apontarem que suspeitos de assassinatos recentes estariam escondidos em um imóvel no distrito de Montinho. Ao anunciar a presença policial, os agentes foram recebidos a tiros. O revide foi inevitável.

 

Os suspeitos, identificados como Edcarlos Silva dos Santos e Lucas Gabriel Novais Oliveira, foram baleados, socorridos ao Hospital de Itabela, mas não resistiram. O delegado ferido recebeu atendimento imediato e passa bem, fora de risco. Um detalhe que não pode ser ignorado: dentro da casa havia um morador que afirmou ter sido coagido a abrigar os criminosos — mais uma prova de como o crime também sequestra a liberdade de quem só quer sobreviver.

 

No imóvel, a polícia apreendeu uma verdadeira engrenagem de guerra: submetralhadora, revólver, munições, rádios comunicadores e roupas táticas. Não se trata de improviso. Trata-se de organização, planejamento e poder de fogo — sinais claros de que o tráfico não atua mais de forma amadora.

 

Entre os crimes investigados estão os homicídios de Carlos Daniel Souza Cunha, de apenas 18 anos, e Jhonatan Gustavo Santos Oliveira, de 24. Duas vidas interrompidas, duas histórias que não terão continuação. É impossível falar de segurança pública sem lembrar que, antes de estatísticas, estamos falando de pessoas.

 

A operação levanta uma reflexão necessária: quando o Estado se faz presente, o confronto acontece — mas a ausência do Estado custa ainda mais caro. O enfrentamento ao crime salva vidas a longo prazo, mas também expõe policiais a riscos extremos e comunidades a traumas constantes. Segurança pública não pode ser só bala e sirene; precisa vir acompanhada de políticas sociais, oportunidades e presença contínua do poder público.

 

As diligências continuam para localizar outros integrantes do grupo criminoso. A pergunta que fica é: até quando essas regiões vão viver reféns do medo enquanto o crime tenta ditar regras?

 

🗣️ Segurança pública é direito, não privilégio. Quem defende a vida não pode se calar.


 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

Foto: Internet


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