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QUANDO O CORAÇÃO PARA, MAS O LEGADO FICA: A DESPEDIDA DE ALAN SANCHES E O VAZIO QUE ECOA NA BAHIA

Entre aplausos, lágrimas e orações, o povo se despede de um médico que curava com as mãos e de um político que escolheu servir

 

A manhã deste domingo (18) amanheceu mais silenciosa na Bahia. No Salão Nobre da Assembleia Legislativa (Alba), não era apenas um deputado que se despedia da vida — era um homem que escolheu caminhar ao lado do povo, fosse no plenário, fosse dentro de um posto de saúde das comunidades mais humildes.

 

A despedida de Alan Sanches, médico, deputado estadual e ex-presidente da Câmara de Salvador, reuniu familiares, amigos e lideranças políticas de diferentes campos ideológicos. Um raro momento em que a política se calou para dar lugar à humanidade. Às 9h, uma missa marcou o adeus público àquele que, aos 58 anos, teve a vida interrompida por um infarto fulminante, deixando uma ferida aberta no coração da Bahia.

 

UM HOMEM ALÉM DAS SIGLAS

 

Entre os presentes estavam o governador Jerônimo Rodrigues, o prefeito Bruno Reis, o ex-prefeito ACM Neto, a presidente da Alba Ivana Bastos, parlamentares da base e da oposição. Mas ali, mais do que cargos, falavam as memórias, os afetos e o respeito.

 

Alan Sanches construiu algo raro na política brasileira: respeito suprapartidário. Fazia oposição com firmeza, mas sem perder a humanidade. Brigava no debate, mas nunca abandonava o compromisso maior — o povo baiano.

 

“Quando precisava defender a Bahia, ele não olhava partido, olhava o povo”, resumiu Ivana Bastos, com a voz embargada.

 

O MÉDICO QUE NUNCA LARGOU O POVO

 

Filho da medicina antes mesmo da política, Alan Sanches jamais abandonou o jaleco. Durante mais de 30 anos, conciliou a vida parlamentar com o atendimento médico nas comunidades. Atendia todos os dias, sem distinção, sem holofotes, sem discurso vazio.

 

Seu filho, o vereador Duda Sanches, traduziu o legado do pai em palavras que emocionaram o país:

 

“É difícil você não conhecer alguém que já tenha passado pelas mãos médicas dele. Ele cuidava de muita gente, especialmente dos mais humildes. Nunca parou de atender.”

 

Para muitos, Alan não era “deputado”. Era “Doutor Alan”. Aquele que fazia 8 km na Lavagem do Bonfim e, no dia seguinte, às 7h da manhã, já estava na clínica atendendo o povo.

 

“Quando ele não vinha, as pessoas diziam: ‘não quero outro médico, só quero ele’”, contou, emocionada, a líder comunitária Marta Maria Ferreira.

 

UM LEGADO QUE NÃO CABE NO CAIXÃO

 

O sepultamento, no Cemitério Jardim da Saudade, foi marcado por aplausos, cânticos e gritos que cortaram o silêncio:

“Não vai embora, doutor”, “Perdemos um amigo de verdade”.

 

Músicas como “Amigos para Sempre” e “Segura na Mão de Deus” ecoaram entre lágrimas e abraços apertados. Não era apenas um corpo sendo enterrado — era uma história sendo eternizada.

 

O governador Jerônimo Rodrigues resumiu o sentimento coletivo ao lembrar das mensagens trocadas com Alan:

 

“Nossas conversas eram humanas, de abraço, de respeito, de cuidado. Isso diz muito sobre quem ele foi.”

 

O QUE O POVO PERDE QUANDO UM HOMEM ASSIM SE VAI?

 

A morte de Alan Sanches escancara uma pergunta que o Brasil insiste em evitar:

👉 Que tipo de política queremos?

👉 Quantos médicos-políticos ainda caminham com o povo, sem abandonar suas origens?

 

Em tempos de descrédito, Alan representava a política possível: a que escuta, cuida e não abandona. Sua partida deixa um vazio no plenário, nos hospitais, nas comunidades e nos corações de quem acredita que servir ainda vale a pena.

 

🕊️ Alan Sanches se foi, mas deixou algo que nem a morte apaga: o exemplo.

 

Quando um homem público vive para o povo, sua morte não é o fim — é o início de uma responsabilidade coletiva de não deixar seu legado morrer.

 

🗣️ Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.

 

✍️ Por: Nilson Carvalho

Papo de Artista Bahia


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