Quando o Amor Vira Ódio: Mais Uma Mulher Silenciada Pela Violência que o Brasil Insiste em Ignorar
- Nilson Carvalho

- há 1 dia
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Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia
Mais uma mulher teve sua história interrompida de forma brutal. Mais uma família destruída. Mais uma criança condenada a crescer sem a presença da mãe. O assassinato da psicóloga e pedagoga Karine Gonçalves Luciano de Barros, de apenas 39 anos, em Missão Velha, no interior do Ceará, não é um caso isolado — é o retrato cruel de um país que ainda falha em proteger suas mulheres.
Karine foi morta a tiros em plena manhã, quando saía de casa para trabalhar. Em segundos, sonhos, projetos e uma vida dedicada ao cuidado do outro foram apagados pela violência. Segundo o Ministério Público do Ceará, o crime foi motivado por conflitos envolvendo a guarda do filho do casal, uma criança de apenas 2 anos, agora órfã de mãe e marcada para sempre por um ato de ódio.
O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, Diego Almeida Castro, preso em flagrante e denunciado por feminicídio. De acordo com a investigação, Karine vinha sendo ameaçada após o fim do relacionamento, um alerta que, infelizmente, não foi suficiente para impedir a tragédia. Quantas vezes mais será preciso repetir essa história para que a sociedade acorde?
Violência que começa no controle e termina no caixão
O feminicídio raramente surge do nada. Ele nasce no controle, na possessividade, nas ameaças, no sentimento de “posse” sobre a vida da mulher. No caso de Karine, a disputa pela guarda do filho escancarou um problema grave: quando o machismo se mistura com a ideia de poder, o resultado pode ser fatal.
Esse tipo de crime não atinge apenas a vítima direta. Ele destrói famílias inteiras, sobrecarrega o sistema público, deixa crianças traumatizadas e perpetua um ciclo de dor e violência. O prejuízo é coletivo. O silêncio, a omissão e a naturalização desses casos custam vidas.
A justiça precisa agir — mas a sociedade também
O Ministério Público pediu que o acusado vá a júri popular e que haja reparação financeira à família. É um passo importante, mas insuficiente se não houver políticas públicas eficazes, proteção real às mulheres ameaçadas e uma mudança urgente de mentalidade.
Falar sobre feminicídio não é vitimismo. É sobrevivência. É educação. É prevenção. É salvar vidas antes que seja tarde demais.
Enquanto discutimos, mais mulheres estão sendo ameaçadas dentro de casa, nas ruas, nos relacionamentos que deveriam ser espaços de afeto, não de medo.
Quando uma mulher é morta por ser mulher, toda a sociedade sangra. O silêncio não é neutro — ele mata junto.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Foto: Internet







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